Policiais de Manoel Ribas (140 km ao sul de Apucarana) apreenderam ontem, às 7 horas, três caminhões, transportando 117 cabeças de gado roubadas da Fazenda Corumbataí, ocupada pelo Movimento dos Sem Terra (MST), desde abril de 1997. A denúncia do roubo foi feita minutos antes à 2ª Companhia da Polícia Militar de Ivaiporã, que manteve contato com a Delegacia de Manoel Ribas, a tempo de interceptar os veículos no trevo de acesso à cidade.
Foram apreendidos dois caminhões Mercedes-Benz, placas AFC-1254 e AET-9624, ambos de propriedade do Frigorei, de Toledo; e um Ford Cargo, placa AHH-8403, da Transportadora Boeff Ltda, de Toledo. O delegado Moacir Daltibale autuou em flagrante os motoristas Sidenir Candido de Oliveira, 38 anos; Marcelo Zavatin Lole, 21 anos; e Antônio Soares Pereira, 34 anos.
‘‘Como o gado não pertence aos sem-terra, que também serão indiciados, eles foram autuados por receptação de produto roubado’’, afirmou o delegado Moacir Daltibale. De acordo com Daltibale, os homens foram detidos na
PR-466, em três caminhões carregados com 117 novilhas.
No inquérito policial, instaurado ainda ontem, a polícia identificou José Carlos Lole, 43 anos, como comprador do lote de animais. Em seu depoimento Lole, que foi preso junto com os motoristas, declarou que o gado foi comprado de líderes do acampamento do MST, na Fazenda 7 Mil. Segundo ele, o negócio foi fechado com os sem-terra ‘‘Paulo’’, ‘‘Antônio’’ e ‘‘José Carlos’’, ao preço de R$ 150 cada animal, totalizando R$ 17.550 pelo lote.
O comprador revelou ainda que os 41 animais, que eram transportados no Ford Cargo, iriam para uma fazenda em Loanda; e que as outras 76 cabeças estavam sendo levadas para outra propriedade em Diamante do Oeste. José Carlos Lole explicou que o lote era de bezerros, na faixa de um ano, destinado a engorda.
A partir dos depoimentos dados pelas quatro pessoas presas, o delegado Moacir Daltibale anunciou que irá intimar e indiciar líderes do acampamento do MST na ‘‘7 mil’’ pelo roubo e venda de gado.
O administrador da fazenda, Márcio dos Reis Neto, genro do proprietário Flávio Pinho de Almeida, esteve ontem na delegacia para confirmar que os animais eram produto de roubo e registrar queixa-crime.
Ele declarou que recebe frequentemente denúncias de vizinhos e empregados que foram expulsos da fazenda, dando conta de que os sem-terra estão vendendo animais para frigoríficos. Reis Neto também denunciou que lotes de 8 a 10 animais são abatidos a tiros e retirados da fazenda em caminhões, escondidos sob lonas.
Quando as fazendas Corumbataí e Canadá, de 5.731 alqueires paulistas, foram invadidas pelo MST, em abril de 1997, havia, segundo Márcio Reis Neto, 12 mil cabeças de bovinos (nelore) na propriedade, mais conhecida como Fazenda 7 Mil. Depois de muita negociação, intermediada pelo Incra, o proprietário obteve ‘‘autorização’’ dos sem-terra, conseguindo retirar um lote de 3 mil cabeças.
Agora, conforme admite o proprietário, depois de tanto abuso e seguidas denúncias de abate e venda, não se sabe ao certo quanto existe de gado na Fazenda.
A Folha tentou ontem ouvir o advogado Elso Bittencourt, de Ivaiporã, que representa os acampados da 7 mil - cerca de 700 famílias -, mas ele não foi encontrado em seu escritório e nem retornou as ligações. O jornal também tentou ouvir líderes do MST em Curitiba, mas não obteve êxito.

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