Curitiba - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgaram ontem mais uma carta aberta criticando o governo do Paraná. É a segunda em menos de 15 dias. Na primeira, a gestão Roberto Requião (PMDB) foi acusada de ''ressuscitar táticas do governo Jaime Lerner (PSB)'' por conta do confronto entre a Polícia Militar (PM) e integrantes do MST na desocupação da Fazenda Sonda, em Maria do Oeste, região central do Estado. Agora, MST e CPT acusam o governo do Estado de virar ''um refém do Poder Judiciário'' e ''de perder o controle de suas tropas''.
A carta aberta foi redigida em Pitanga (88 km ao norte de Guarapuava) por representantes do MST, CPT e sindicatos ligados ao movimentos sociais na terça-feira. Dionísio Vandresen, líder da CPT na região, diz que o clima está tenso, sobretudo por conta da iminente desocupação da Fazenda Três Marias, de propriedade da família Lacerda e que abriga 470 famílias sem-terra. O MST e a CPT querem que governo do Paraná negocie a compra a área. Há ainda temor de nova desocupação violenta como a da Fazenda Sonda, ainda mais porque o MST não desocupou a área na última sexta-feira, como havia combinado com a PM há 15 dias. As fazendas Sonda e Três Marias ficam na região.
''Os despejos, determinados pela Justiça, não são a melhor saída. O Poder Judiciário do Paraná interpreta a lei seca. E o governo do Estado está permitindo isso. Queremos (no caso da Três Marias) por exemplo que o governo peça prorrogação de 180 dias para o cumprimento do mandado de reintegração de posse.'' ''O governo Requião prefere cumprir a ordem (de despejo) a enfrentar o problema'', disse Vandresen.
''Estamos perplexos, pois o governo federal destinou no orçamento para 2004 R$ 3 bilhões para a reforma agrária no Brasil. No Paraná temos 15 mil famílias acampadas (em 97 ocupações) e a reforma agrária, não anda está engessada (...)'', finaliza a nota do MST e CPT.
O governo do Paraná, através da Secretaria da Segurança, reafirmou ontem também por nota oficial que ''nenhum governo estadual brasileiro age com tanta responsabilidade e respeito ao MST e integrantes de outros grupos sociais defensores da reforma agrária''.
O governo Requião alegou ainda que as desocupações têm sido feitas de maneira democrática, ''aberta e à vista de todos respeitando tanto as decisões judiciais quanto os ocupantes de terras''. ''Todos os processos de reintegração de posse foram discutidos à exaustão e acordados previamente (...) É justamente por consequência desta política de entendimento, respeito e solidariedade que este governo sofre fortíssimas críticas e pressões. Por isso, fazer a comparação das ações deste governo (...) com governos anteriores é no mínimo injusto.''

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