MST é acusado de sequestrar agricultor
Lucinéia Parra
De Maringá
Trabalhadores rurais do Assentamento Luiz Carlos Prestes, em Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí), denunciaram ontem que aproximadamente 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) sequestraram o coordenador do assentamento Celso Antonio Bakes. Conforme os trabalhadores, lideranças do MST invadiram o assentamento por volta das 17 horas de anteontem armados de paus e facões. Eles teriam espancado e levado Celso para o assentamento da Fazenda São Sebastião. A polícia esteve no local ontem de manhã, mas foi impedida de entrar. O movimento nega que Bakes tenha sido sequestrado e espancado (ver matéria ao lado)
De acordo com um trabalhador do Assentamento Luiz Carlos Prestes que pediu para não ser identificado alegando que estava sendo ameaçado de morte lideranças do MST teriam realizado o sequestro porque Bakes defende a suspensão do repasse de 3% dos recursos provenientes do Procera, para a direção do movimento. Os trabalhadores do assentamento resolveram negociar diretamente com o banco e conseguiram receber os recursos sem passar pela direção do MST. Em represália, conforme um dos assentados, o MST tomou 32 alqueires da área total do assentamento.
Em seguida, quatro famílias do assentamento retomaram a área. Inconformados com a dissidência dos trabalhadores, lideranças do MST teriam ameaçado anteontem as famílias, dando a elas prazo até ontem para deixar a área. Faz quatro anos que faço parte do MST, mas nos últimos dois anos não concordo com a direção do movimento. Os líderes acham que mandam em tudo e se a gente não concorda com alguma coisa, eles ameaçam a gente, disse um dos assentados. Segundo ele, entre os que sequestraram Bakes estavam os líderes do MST na região: Pedro Cabral, Jaime Dutra, Jaime Maiter e Paulo de Marqui.
O Assentamento Luiz Carlos Prestes foi criado há cerca de um ano e abriga atualmente 46 famílias. Cada família tem um lote de oito alqueires. O delegado de Santa Isabel do Ivaí, Jairo dos Santos, foi designado para assumir as investigações. Ele pediu ontem mandado de busca e apreensão itinerante. Só estamos esperando o mandado da Justiça para iniciarmos as buscas nos lugares denunciados pelos trabalhadores rurais e naqueles considerados suspeitos, disse.





