Curitiba, 14 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) foi acusado hoje, na delegacia de Querência do Norte, a 650 kms de Curitiba, de invasão de domicÍlio, furto e sequestro. Integrantes do MST teriam invadido o assentamento Luiz Carlos Prestes, no início da noite de ontem (13), destruído casas, furtado dinheiro e documentos e sequestrado um dos líderes da área, Celso Antônio Backes.
Em nota, o MST afirmou que Backes foi retirado, pois teria invadido uma área de reserva legal do assentamento, junto com outras duas famílias. O movimento também afirma que não houve nenhuma violência e "Backes foi retirado do assentamento após ter confessado que infringiu o regimento interno". Ele teria sido levado para Cascavel, no Oeste do Paraná, sua região de origem. Até a tarde de hoje a polícia ainda não tinha encontrado o líder.
Prisão- O delegado de Santa Isabel do Ivaí, Jairo dos Santos, deslocado hoje pela manhã para cuidar do caso, pediu a prisão preventiva de seis pessoas, entre elas os principais líderes do MST na região noroeste do Estado. Eles teriam sido reconhecidos entre os invasores do assentamento. O delegado disse que hoje esteve na sede da cooperativa do MST, mas não encontrou nenhum deles.
Segundo alguns dos assentados denunciaram à polícia, um grupo com aproximadamente 80 pessoas chegou ao assentamento, onde vivem 46 famílias, em dois caminhões e três carros. Elas foram assentadas na área de 1.256 hectares durante o primeiro semestre deste ano pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). O irmão de Backes, Valdecir denunciou que as pessoas que sequestraram o líder do assentamento estavam escondidas, esperando apenas a chegada dos carros.
O delegado disse que, pela denúncia, Celso foi obrigado a entrar em um Gol,que seria da cooperativa do MST, sob mira de uma arma. Em sua casa teriam sido tomados alguns documentos. De acordo com os assentados, os invasores teriam dito que era para eles saírem daquele local, pois na próxima vez seria pior. Os assentados passaram a noite na estrada, mas hoje já tinham retornado a suas casas.
Das 46 famílias que estão no assentamento, 26 tinham se revoltado havia cerca de três meses contra uma cobrança de taxa que estaria sendo feita pelo MST, segundo denunciaram ao delegado. Elas estavam se desligando do movimento e Celso estaria recebendo ameaças. Os assentados que se revoltaram reclamam que o dinheiro repassado para o assentamento vai a cooperativa e depois para as famílias.
Eles denunciaram a uma equipe da Rede Globo que esteve na região que a direção do movimento utilizava o dinheiro para pressionar os assentados. Aqueles que não cumprissem as determinações dos lÍderes não recebiam. Os assentados também reclamam que um percentual do que recebem ou produzem fica para a cooperativa.
O MST denunciou em sua nota, que houve omissão do Incra no caso da invasão da reserva legal. O Incra, no entanto nega que isso tenha ocorrido. De acordo com informações de assessores do superintendente, que hoje estava em Brasília, o MST estava querendo uma área de 30 hectares dentro do assentamento para explorar.

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