MST é acusado de destruir fazenda invadida
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de dezembro de 1998
Agência Folha 
Cerca de 150 pessoas ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocupam há três dias a sede da fazenda Coqueirão, no município de Guarantã (SP). Os proprietários da fazenda acusam os sem-terra de estarem destruindo a casa, mesmo método usado pelo movimento durante a ocupação da fazenda Rio Verde, em Itararé (SP).
O advogado dos proprietários da fazenda, José Roberto Teixeira, disse que possui um interdito proibitório - medida judicial que proíbe os sem-terra de ocupar a área.
O advogado requisitou força policial para retirar os sem-terra da fazenda, que já foi invadida três vezes neste ano. A propriedade faz parte do espólio de Herculano Ribas. A Polícia Militar aguardava ontem a comunicação da Justiça para a desocupação da área.
O líder dos sem-terra na região Armiro Maia Neto disse que a fazenda é improdutiva e reivindica a vistoria da propriedade pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).
O delegado de Guarantã (400 quilômetros a oeste de São Paulo), Marcelo Muniz, disse não ter conhecimento de que os sem-terra estejam praticando destruição na propriedade.
Teixeira disse que os sem-terra soltaram cavalos ontem e misturaram o gado no pasto. Segundo ele, a casa, de dois pavimentos e com piscina, está sendo depredada pelo grupo. O MST nega que a propriedade esteja sendo destruída.
Os proprietários da fazenda Rio Verde tinham encontro marcado ontem em São Paulo com representantes do governo paulista para discutir os danos provocados pelo MST à propriedade.


