O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promete intensificar as invasões de terras no Paraná, caso o Governo Federal não cumpra as metas de reforma agrária no País. O anúncio é da coordenação estadual do MST no Paraná, depois da divulgação de números preliminares sobre os cortes federais na área. De acordo com um levantamento realizado pelo deputado federal Paulo Bernardo (PT-PR), os projetos de reforma agrária, colonização e emancipação de assentamentos seriam os mais prejudicados pelas medidas do governo, no Estado.
O estudo mostra que os projetos de reforma agrária para 1999 sofreram um corte de R$ 5.271.400,00. O orçamento inicial era de R$ 8.566.500,00, mas com as medidas de ajuste ficou limitado a R$ 3.295.100,00. Na área de implantação e consolidação de projetos haverá uma perda de R$ 4.313.000,00, dos R$ 7.066.500 previstos na primeira versão do orçamento. Já nos projetos de fortalecimento dos assentamentos rurais o corte será de R$ 958.400,00, ficando com uma verba de R$ 541.600,00.
Roberto Baggio, que integra a coordenação do MST no Paraná, acredita que os cortes vão dificultar ainda mais o processo de reforma agrária no País. ‘‘O governo de Fernando Henrique Cardoso não prioriza a reforma agrária, que já está sucateada. Só protege as grandes empresas, a especulação financeira’’, diz.
Prevendo as dificuldades para 99, Baggio afirma que o MST vai intensificar a pressão sobre o governo federal, na medida em que as famílias de sem-terra não forem atendidas. Segundo ele, os cortes terão reflexos a partir do ano que vem e, por isso, o movimento deve definir, já nos primeiros meses do ano, um calendário de movimentação que será incluído em ações nacionais que deverão acontecer em todo o País.
No Paraná, há hoje 9 mil famílias assentadas. Outras 7 mil estão em fase de legalização das áreas que receberam, sendo que 6 mil delas estão incluídas na meta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para este ano. Roberto Baggio acredita que o instituto não conseguirá atender todas elas, que irão se somar a um outro grupo de 2 mil famílias que ainda dependem de terra para ser assentadas. ‘‘Como em 99 os problemas sociais serão agravados em função da crise na agricultura, teremos um aumento de pessoas se juntando ao movimento em busca da terra’’, diz.Arquivo FolhaBroncaRoberto Baggio, do MST-PR, acusa o presidente Fernando Henrique Cardoso de não priorizar a reforma agráriaAdriana Ribeiro

mockup