Emerson Cervi
De Curitiba
Um suposto acordo entre Movimento Sem Terra (MST), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e governo do Estado previa a saída espontânea dos sem-terra da praça Nossa Senhora Salete, em Curitiba, para o início desta semana. A direção do MST alegou ontem que estava se preparando para desmontar o acampamento nesta terça-feira, dia 30 de novembro.
O rompimento desse compromisso, alegado pelo MST, será tema de uma entrevista coletiva hoje, às 14 horas, no plenarinho da Assembléia Legislativa, com o presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Tomás Balduíno. O bispo vai apresentar detalhes sobre as negociações para saída pacífica dos sem-terra, e falará sobre as medidas que a CPT pretende tomar a respeito da prisão do advogado Darci Frigo.
Deverão estar presentes o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), o ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio e representantes de outras entidades. Ontem, o coordenador do MST, Roberto Baggio, não quis detalhar o acordo que, segundo ele, estava selado. A Folha tentou ouvir a assessoria de assuntos fundiários do governo, mas não foi possível.
Baggio diz que muitas famílias foram divididas entre os ônibus e ainda falta encontrar dezenas de pessoas.
O sem-terra Geraldo Barros, 31 anos, confirma o acordo que teria sido fechado entre governo, Incra e MST. Geraldo é um dos sete acampados presos na madrugada de sábado. Ele estava há seis dias em Curitiba. ‘‘Vim para ajudar nas negociações com o Incra, que já estavam quase concluídas’’. ‘‘Pouco antes das três horas fomos acordados com gritos, os policiais já estavam apontando armas e dizendo para ninguém se mexer’’, conta. Segundo ele, todos foram obrigados a sair da cama, como estavam. ‘‘Tinha homem de cueca e mulher de calcinha e sutiã, a polícia fez a gente se deitar com a barriga para baixo.’’
Ainda de acordo com Geraldo, as mulheres teriam sido levadas para um ônibus e as crianças para outro. Enquanto aguardavam a leitura do mandado judicial os homens foram separados por regiões. Geraldo foi preso porque os policiais encontraram um facão no fundo de sua mochila. ‘‘É um facão que uso para cortar bambu’’. Outros dois foram detidos pelo mesmo motivo. Os demais, por resistência ao cumprimento de ordem judicial. ‘‘Não vi ninguém resistindo. A ordem só foi cumprida às 6 e nós já estávamos na delegacia às 4.’’
Segundo informações do comando da operação, a polícia ‘‘congelou’’ a área às 4 horas. Não houve resistência, nem violência. Os acampados foram agrupados no centro da praça e esperaram até as 6 horas, quando entraram nos ônibus.

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