MST diz que polícia prepara 'arrastão'
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Dimitri do Valle 
O advogado do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Avanilson Alves Araújo, disse ontem em Curitiba que a Polícia Militar deverá desencadear hoje em Querência do Norte uma operação arrastão para prender lideranças e integrantes do MST. Mais prisões irão acontecer. Lá em Querência, se um agricultor estiver passando na rua com um boné do MST já é parado para ser revistado, disse.
O advogado informou que vai ingressar na Justiça com pedidos de habeas corpus e relaxamento de prisão dos 23 sem-terra presos durante as desocupações nos municípios de Querência e Ortigueira. Araújo denunciou que a União Democrática Ruralista (UDR) alugou ônibus para remover os sem-terra para seus locais de origem. Para o advogado, ao desencadear as operações, o governo do Estado comprovou que está agindo em parceria com a UDR.
Agressões, maus tratos, roubo, ameaças, tortura psicológica e trabalho conjunto com jagunços. Estas foram as principais acusações feitas ontem em Curitiba por representantes do MST e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) contra as ações da Polícia Militar durante a desocupação de seis fazendas na madrugada de sexta-feira em Querência do Norte, na região noroeste do Estado.
O MST e a CPT reuniram a imprensa na sede do Sindicato dos Jornalistas do Paraná para contestar a versão apresentada pelo secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, de que as operações foram pacíficas. Cinco sem-terra desalojados das fazendas Rio Novo e Transval denunciaram que os policiais apontaram armas contra eles durante a remoção, além de receberem o auxílio de jagunços para queimar os barracos onde moravam.
De acordo com a agricultora Adelina Ventura Nunes, 34 anos, um policial do Comando de Operações Especiais (COE), da Polícia Militar, disse que tinha o direito de estuprá-la, já que ela havia invadido propriedade particular. Adelina estava acampada na fazenda Rio Novo e ainda foi forçada a dizer onde estava o marido, Sebastião Damaia, um dos coordenadores do MST na fazenda. Os policiais disseram que se eu não falasse, eu ia chupar o cano do revólver até ficar vermelho, afirmou.
O sem-terra Juventino Nunes, 54 anos, disse que durante a desocupação da Rio Novo, um policial pegou a carteira dele e quando a devolveu ele sentiu falta de aproximadamente R$ 200,00. Fui roubado, disse. Outro sem-terra, José Duarte, contou que os policiais chegaram por volta da 1h30 da madrugada para desocupar a Fazenda Rio Novo. O advogado da CPT, Darci Frigo, lembrou que a Constituição Federal determina que este tipo de operação só se inicie às 6 horas da manhã.
Eles chegaram e disseram que era a polícia e que todo mundo devia sair porque estavam procurando armas, relatou José Duarte. O sem-terra contou que quando saía do barraco dois policiais apontaram espingardas calibre 12 para a sua cabeça e barriga. A agricultora Maria Lorencini, 40 anos, afirmou ter visto policiais dando pontapés em sem-terra enquanto eram retirados dos barracos. Os homens teriam ficado durante quatro horas deitados de bruços num pasto úmido.


