Luciana Pombo
De Curitiba
Os coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) disseram ontem, em reunião com a superintendência do Incra, que não aceitarão qualquer negociação para a retirada das 2,7 mil famílias que estão acampadas desde maio deste ano nas Fazendas Araupel, em Rio Bonito do Iguaçu, e Refopas, em Cascavel, região Oeste do Estado. ‘‘Não deixaremos estas áreas. Este assunto é indiscutível’’, afirmou o coordenador estadual do MST, Roberto Baggio.
Para Baggio, as duas áreas são, atualmente, os maiores problemas para a questão agrária do Brasil. ‘‘São áreas visadas, de bom solo e há interesse das famílias em permanecerem nas terras’’, argumentou. As duas fazendas foram ocupadas durante o período de cumprimento de mandados de reintegração de posse, quando líderes de sem-terra foram presos e diversas fazendas desocupadas.
‘‘Foi uma reposta ao governador Jaime Lerner e à política que estava sendo implantada no local. Agora a responsabilidade de buscar uma solução com desapropriações e compra dessas áreas é do governo’’, salientou.
O líder do MST acredita que, caso não haja uma solução para o impasse, as fazendas acabem se transformando em palcos de enfrentamento permanente. ‘‘É imprevisível o que poderá acontecer. Só temos a certeza de que os sem-terra irão resistir e os moradores de assentamentos paralelos já estão mobilizados para ajudar na resistência por tentativa de reintegração de posse militar ou privada’’, garantiu Baggio. ‘‘O melhor conselho que posso dar neste momento é para que o Estado assimile a gravidade desses conflitos e busque solução.’’
Roberto Baggio afirmou que as duas fazendas invadidas estão em áreas onde estão concentradas as maiores lutas por terra. ‘‘Esse é um sonho de 20 anos e os sem-terra querem essas áreas para produzir’’, disse. A Fazenda Rio Iguaçu, da Araupel S.A., tem cerca de 81 mil hectares, sendo que 28 mil já foram desapropriados para fins de reforma agrária e 5 mil hectares estão ocupados. O diretor da Araupel, Rone Chiochetta, alega que a área que restou é fundamental para a empresa por causa dos 24 mil hectares de matas nativas e 21 mil de reflorestamento. Já a Fazenda Refopas tem cerca de 554 hectares e pertence a Maria Elisa Festugatto, que utiliza a área para agropecuária.
Além da compra dessas áreas, Baggio quer que o Incra verifique a situação de 160 terrenos indicados pelo movimento para fins de reforma agrária e os 112 que estão ocupados com cerca de 9.155 famílias. Até o dia 30 deste mês, o Incra deverá apresentar um cronograma sobre a situação de todas as áreas solicitadas pelo MST, dando um panorama sobre a possibilidade de desapropriação ou compra de terrenos.
‘‘Não admito o termo não consegue. Vamos tentar discutir alternativas e buscar o entendimento com a desapropriação e a compra de áreas’’, afirmou José Carlos de Araújo Vieira, superintende do Incra do Paraná.Líderes do movimento afirmaram que não aceitam negociação para desocupar as fazendas Araupel e Refopas, invadidas desde maio deste ano
José SuassunaNegociaçãoReunião entre Incra e MST: instituto quer ter panorama, até final do mês, sobre áreas reivindicadas

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