MST discute retirada do acampamento
Emerson Cervi
De Curitiba
Lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Paraná, começam a discutir hoje o fim do acampamento em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba. A decisão foi tomada ontem, depois de uma reunião que durou mais de duas horas com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, e com o governador do Paraná, Jaime Lerner. Houve um avanço nas negociações, mas ainda existe uma discrepância entre as exigências do movimento e as propostas do governo, disse um dos coordenadores do MST, Rogério Mauro, depois da reunião.
Não existe prazo para os sem-terra decidirem se saem ou não da Praça Nossa Senhora da Salete. Dificilmente eles levantam acampamento antes do início dos novos assentamentos, prometido pelo ministro. Jungmann garantiu que a meta de assentamentos no Paraná para este ano passaria de 1,8 mil para pelo menos 3,2 mil famílias. Não dá para chegar aos 9 mil que eles querem, afirmou o ministro. Segundo Rogério Mauro, o ministro garantiu que até dia 31 de agosto o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) concluirá os processos de desapropriação de 20 áreas. Até dia 15 de setembro devem estar sendo concluídos os processos de desapropriação de outras 20 áreas no Estado, relatou.
O MST terá nova reunião com o ministro Jungmann em Brasília, dia 18 de setembro, para analisar o cumprimento das metas de desapropriação apresentadas pelo Incra. Segundo o coordenador do MST, parece que eles estão com vontade de solucionar os problemas, mas precisamos de fatos concretos.
As primeiras 20 áreas a ser desapropriadas pelo Incra para cumprir o compromisso assumido por Jungmann já foram vistoriadas. Elas não estão invadidas e poderão atender cerca de 1,2 mil famílias de sem-terra. Segundo o superintendente do Incra no Paraná, José Carlos Araújo Vieira, serão priorizadas as famílias que foram desalojadas nas desocupações de 22 fazendas, feitas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública no mês de maio. Vamos atender primeiramente as 645 famílias que foram retiradas dos acampamentos e depois as 500 famílias que estão em áreas com problemas judiciais, afirmou o superintendente.
O governador Jaime Lerner disse que as tentativas de negociações com o MST devem evitar novas desocupações de fazendas pela força policial. Se estamos tentando uma agenda positiva, as retiradas dos invasores de áreas com mandado de reintegração devem ser de forma negociada. Para Lerner, não existem mais motivos para os sem-terra continuarem acampados em Curitiba. Conseguimos um volume maior de recursos para a reforma agrária, eles não precisam esperar pelos atos para depois sair.
Além das 3 mil famílias em novos assentamentos, devem ser beneficiadas 900 famílias com os recursos do Banco da Terra este ano, feita a regularização fundiária com títulos definitivos de terra para 2 mil famílias e a ratificação de títulos de fronteira para outras 2 mil. Ao todo, 8,6 mil famílias serão beneficiadas no Paraná com os recursos que estão sendo liberados, afirmou ele. Para justificar a ausência no encontro marcado para o último dia 22, Jungmann disparou: Não estive da outra vez aqui porque tive que virar o Brasil de cabeça para baixo para trazer ao Paraná os recursos que o Estado merece.





