MST desocupa prédios públicos
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sexta-feira, 05 de maio de 2000
Agência Estado De Brasília 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) informou ontem, em Brasília, que foram desocupados todos os prédios do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Ministério da Fazenda, em oito Estados. As lideranças dos sem-terra disseram que a desocupação é uma forma de mostrar ao governo que o MST quer negociar com a área econômica.
Os sem-terra desocuparam o prédio da superintendência do Incra em Brasília e seguiram para a Esplanada dos Ministérios. O clima ficou tenso, mas o MST não cumpriu a ameaça de invadir o Ministério da Fazenda. Os manifestantes deixaram o prédio e protocolaram no Ministério da Fazenda uma pauta de reivindicações. Cerca de 50 policiais vigiavam a sede do ministério. Os sem-terra ficaram do outro lado da pista, no canteiro central da Esplanada.
Segundo Gilberto Portes, um dos coordenadores nacionais do MST, a pauta de reivindicações que foi protocolada no Ministério da Fazenda custaria ao governo mais de R$ 11 bilhões este ano, se fosse atendida em sua totalidade. O orçamento do Incra para este ano é de apenas R$ 1,3 bilhão.
Ontem, o líder dos sem-terra, José Rainha, avisou que os trabalhadores voltarão às cidades novamente nos próximos dias para mostrar à sociedade a realidade que estamos vivendo. Esse governo é igual feijão velho. Só mesmo na pressão é que vai..., disse.
Rainha entende que uma eventual saída do ministro Raul Jungmann, do Ministério da Política Fundiária, não melhoraria o diálogo com o MST. O problema é que quem manda no Brasil é o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga dois representantes do FMI no Brasil.
O líder do MST afirmou: Não se pode pôr fim a um movimento social com um movimento social com violência, como acontecia nos tempos de Augusto Pinochet no Chile, inclusive porque para nos deter precisarão matar todos os sem-terra, ou nos prender num campo de concentração.
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR) no Pontal do Paranapanema, Almir Soriano, disse esperar que as medidas anunciadas pelo governo federal sejam firmes para manter o País no caminho da ordem. Só agora, por pressão da sociedade, o governo percebe que o MST não luta pela terra, mas para tentar quebrar o estado de direito e a democracia no País, disse.


