MST desocupa fazenda em Cornélio Procópio
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quinta-feira, 06 de setembro de 2007
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
Cinco dias depois de terem ocupado a Fazenda Santa Alice, localizada no município de Cornélio Procópio, cerca de 300 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram retiradas do local. A reintegração de posse foi executada na manhã de ontem com a presença de um oficial de justiça e apoio de um efetivo de quase 500 policiais militares da região.
A equipe da FOLHA acompanhou a operação. Viaturas das polícias Militar e Ambiental e do Corpo de Bombeiros estiveram no local. Apesar do aparato policial, a reintegração foi pacífica e rápida. Em menos de uma hora após a abordagem da polícia aos assentados, a maioria das famílias já estava com os pertences prontos para a retirada.
Segundo o subcomandante do 18º Batalhão da Polícia Militar, major Fábio Luiz Rincoski, não houve resistência. ''A maioria das famílias veio de cidades da região mesmo e não contava com uma retirada tão rápida. Não houve tempo nem deles erguerem suas barracas'', comentou.
As famílias se alojaram nas casas da própria fazenda. Os integrantes do MST, segundo os policiais, teriam ''convidado'' os funcionários da fazenda a fazer parte do movimento, mas quando viram que nenhum deles aceitaram o convite, permitiram a saída de todos sem problemas. Um arrendatário da fazenda chegou a dar um boi para os sem-terra fazerem um churrasco. Restos do animal, como pele e cabeça, estavam jogados pelas fazenda.
Em meio às mudanças, galinhas, porcos e cães, foram levados em ônibus e caminhões providenciados pelos donos da área. A maioria das famílias seria levada para áreas do Incra nos municípios de Congonhinhas e Jacarezinho.
A Fazenda Santa Alice fica a 25 km da área urbana de Cornélio Procópio e pertence às irmãs Dorothy Quagliato Cézar e Beatriz Egreja, moradoras em Santa Cruz do Rio Pardo (SP). As duas já haviam conseguido a ordem de reintegração de posse há cinco dias, quando ocorreu a invasão.
Segundo a assessoria de imprensa do Incra, um parente da família teria ofertado as terras para venda em 2005, porém, como ele não tinha participação na área, o processo teria ficado parado. Uma das herdeiras da fazenda, Rosamaria Quagliato Egreja, que acompanhou a operação, afirmou que nunca houve interesse da família em vender a área. ''A fazenda é da nossa família há 47 anos e pretendemos que continue por mais 47 anos. Não temos intenção nenhuma de vender e nunca procuramos o Incra com intenção de vender'', disse. A Fazenda Santa Alice com 1.090 alqueires reúne plantações de cana-de-açúcar e áreas com cultivo de milho e trigo.


