Os integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) desocuparam na tarde de ontem a Fazenda Ceval, do grupo Bunge International, em Buritis, Minas Gerais. Mas depois ameaçaram retornar à região e ir três quilômetros além para invadir a Fazenda Córrego da Ponte, da família do presidente Fernando Henrique Cardoso. Os cerca de 300 militantes, entre homens, mulheres e crianças retornaram à sede do município, a 57 km, para negociar com representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Até o início da noite de ontem, os líderes do movimento não estavam satisfeitos com as propostas feitas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). ''A qualquer hora poderemos retornar para a Ceval ou para outras propriedades da região'', disse Gilmar de Oliveira, um dos coordenadores regionais do MST.
No sábado, o ministro da Justiça, José Gregori pediu ao governo de Minas Gerais que envie tropas da Polícia Militar para a região. Segundo ele, a medida deve-se principalmente ao fato de as invasões e as ameaças estarem sendo feitas também contra propriedades particulares e não apenas às terras da família do presidente da República.
O governo mineiro, segundo Gregori, prometeu tomar providências. O representante do Incra, Boris Alexandre César, garantiu que o governo está adquirindo uma área do Banco de Brasília (BRB) para instalar cerca de 70 famílias que não foram contempladas nos assentamentos Vanderli Ribeiro e Chico Mendes, na região de Buritis.
O Incra também prometeu indenizar as famílias que ocupam há seis anos a Fazenda Barriguda, caso a Justiça volte a conceder ao antigo ocupante da área laudo atestando a produtividade da fazenda. Os técnicos do governo, porém, colocaram entraves técnicos para a liberação de aumento do crédito oferecido aos assentados de Buritis, que querem receber R$ 12 mil em vez dos R$ 9,5 mil oferecidos. O MST quer ainda um novo financiamento no valor de R$ 2 mil para o plantio do final deste ano.

mockup