MST desmente suicídio de sem-terra
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quinta-feira, 20 de novembro de 1997
Agência Estado Manaus 
O coordenador do Movimento dos Sem-Terra (MST) de Apuí, Orlando Ferreira de Araújo, confirmou ao secretário de Justiça e Cidadania do Amazonas, Felix Valoir, sua versão para a morte do sem-terra Eliseu Oliveira da Silva. Araújo denunciou que Silva morreu assassinado e torturado e não suicidou-se como atestam em laudo os médicos Cidrônio Silva, Carlos Alencar e o promotor Marcelo Ribeiro. O secretário Felix Valoir foi a Apuí, a 455 quilômetros ao sul de Manaus, por determinação do governador Amazonino Mendes. O secretário foi acompanhado pelo juiz-corregedor Flávio Pascarelli; o promotor Luiz Carramanho, o presidente da OAB-AM, Alberto Simonetti, e o delegado do Departamento de Polícia do Interior, Luiz Humberto Monteiro.
Durante as quase quatro horas que a comissão permaneceu na cidade, Valoir ouviu o delegado Lécio Rodrigues, o representante do MST e o médico Cidrônio Silva. Ao chegar ontem a Manaus, o secretário disse que pedirá ao governador que requisite ao Ministério Público Estadual a presença na cidade de um juiz especial, além da exumação do corpo do sem-terra. Só uma prova técnica vai dirimir todas as dúvidas, disse o secretário afirmando que prometeu segurança total aos membros do MST em Apuí.
Hoje segue para Apuí o delegado da Polícia Federal Mauro Spósito. Ele inicia as investigações requeridas pelo Procurador Geral da República Sérgio Lauria. Spósito investigará também as responsabilidades do Estado quanto a integridade física de Eliseu Oliveira da Silva, que estava sob proteção do agente público quando morreu dentro da delegacia.


