Curitiba- O ''novembro vermelho'' do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) teria sido criado pela mídia e não vai acontecer na prática, informou ontem a assessoria do movimento no Paraná. De acordo com a assessoria, um jornalista teria interpretado mal a afirmação feita pelo líder do MST, Jaime Amorin, anteontem em Recife (PE).
Quanto às manifestações contra a política econômica do governo, que segundo o coordenador nacional do MST, João Pedro Stedile, vão acontecer em Brasília e nas capitais, o MST do Paraná afirmou que não tem nada agendado no Estado.
A assessoria do MST no Paraná informou que, durante o mês, o MST ''vai continuar suas atividades normais de ocupação'' para pressionar o governo federal a fazer a reforma agrária.
O Estado conta hoje, segundo a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), com 72 propriedades rurais invadidas.
Já as manifestações não devem acontecer porque o MST do Paraná vai realizar, com apoio do governo do Estado, o Festival Latino-americano de Música Camponesa na mesma época do protesto. ''O movimento vai estar preocupado com isso'', informou a assessoria.
O coordenador da Comissão Técnica Fundiária da Faep, Tarcísio Barbosa de Souza, afirmou que declarações como a do ''novembro vermelho'' (referência à onda de invasões), que hoje são desmentidas pelo MST, provocam terror psicológico nos proprietários rurais. ''Se tiver 'novembro vermelho' nós vamos fazer novamente o 'novembro verde', como em abril. Os produtores estão preocupados com o plantio e em manter o Paraná com um dos maiores produtores de grãos do Brasil'', afirmou.
Souza reclama da omissão do governo do Estado quanto às invasões de terra no Paraná. ''As determinações judiciais de reintegração de posse não estão sendo cumpridas. E quando eles liberam uma área, o MST invade três. As nossas ações são dentro da lei. Estamos nos mobilizando e pedindo que o governo do Paraná também cumpra a lei e não seja conivente como está sendo'', argumentou.

mockup