MST desiste de invadir sede do Incra em Belém
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 28 (AE) - O Movimento dos Trabalhadorees Rurais Sem-Terra (MST) recuou e não pretende mais invadir a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Belém, como havia anunciado domingo (27). Os 800 lavradores e suas famílias acampados na Fazenda Bacuri, em Castanhal, decidiram hoje que vão armar suas barracas de lona na porta do órgão, na estrada do Ceasa. A Polícia Militar, a pedido do superintendente do instituto, Darwin Boerner, deslocou vários policiais à paisana para o local. "A tropa só sai do quartel quando os sem-terra estiverem próximo do Incra", revelou um oficial que preferiu não se identificar.
Os trabalhadores saíram de Castanhal na semana passada, caminhando pela Rodovia BR-316 até a capital, para pressionar a direção do Incra a desapropriar duas fazendas ocupadas pelo movimento. A marcha dos sem-terra já dura seis dias. Na tarde de hoje, eles acamparam em Benevides, na periferia de Belém, para "jantar e descansar", segundo informou o líder dos manifestantes, Betinho de Souza.
Segundo o coordenador do MST, Alcenir Monteiro, os trabalhadores reivindicam a desapropriação imediata das fazendas Bacuri e Cabaceira, esta em Eldorado dos Carajás, no sudeste do Pará, além de uma solução para os 600 lavradores despejados pela Justiça da Fazenda Taba, na Ilha de Mosqueiro. "Temos 50 famílias despejadas morando num galpão em Mosqueiro, cedido pela prefeitura de Belém", contou Monteiro. De acordo com o coordenador, o MST passou todo o dia de hoje providenciando comida para alimentar as famílias procedentes de Castanhal. O superintendente do Incra reafirmou hoje que o movimento recusou três áreas oferecidas pelo instituto para assentar as famílias despejadas da Taba. "O MST está confuso e não sabe mais o que quer", afirmou.


