MST descarta onda de crimes
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terça-feira, 29 de abril de 1997
Agência Folha 
Arquivo FolhaSangue de barata João Pedro Stédile disse ontem que a direção da entidade não pode controlar a reação de seus militantes diante da violência de fazendeirosBRASÍLIA - João Pedro Stédile, um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), disse ontem que a direção da entidade não pode controlar a reação de seus militantes diante da violência de fazendeiros. Ninguém tem sangue de barata, disse ele, referindo-se ao assassinato do segurança José Lopes Oliveira, morto por sem-terra que estão acampados na fazenda Borborema, em Tamarana (PR). É impossível controlar a reação da massa. Stédile descartou que a nova onda de mortes no campo registrada nesta semana seja um recrudescimento da violência rural no País.
Segundo ele, os líderes do acampamento informaram à direção nacional do MST que os supostos pistoleiros contratados pelo segurança humilharam os sem-terra e queriam expulsá-los de qualquer maneira. Isso teria motivado a reação. O segurança não foi executado. Ele foi morto após reagir à reação dos sem-terra, disse o coordenador do MST.
Cenas da Rede Bandeirantes exibidas anteontem mostram um suposto pistoleiro dominado pelos sem-terra. Depois, o corpo do segurança assassinado com um tiro na cabeça. Para Stédile, esse suposto pistoleiro filmado sofrendo ameaças dos sem-terra foi poupado a pedido do cinegrafista que acompanhava a reação dos acampados.
As imagens foram vistas pelo ministro Raul Jungmann (Política Fundiária). Ele não quis comentar o assunto. Além do assassinato do segurança no Paraná, dois trabalhadores rurais foram mortos anteontem, um na Bahia e outro em Alagoas. A única coisa que o governo pode fazer para impedir a violência do latifúndio é acelerar os projetos de reforma agrária, disse Stédile. Os sem-terra homenagearam o líder do MST em Alagoas Juariciron Amado Cristo, 28. Eles fizeram um minuto de silêncio durante protesto realizado em frente ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) contra a privatização da Companhia Vale do Rio Doce.


