MST denuncia atentado contra filho de líder
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domingo, 11 de abril de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 12 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) denunciou que, por volta das 10h30 desta segunda-feira (12), o filho de um dos líderes do movimento na região central do Paraná, Etuíno Luiz Mendes, conhecido como Lapacho, sofreu um atentado a 400 metros de sua casa no Assentamento Marreca, em Turvo.
Foram disparados dois tiros contra Marco Luiz Mendes, de oito anos, por três homens que ocupavam um Opala branco. Um dos tiros pegou de raspão no braço. O menino foi medicado e não precisou de internação.
Segundo o coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Paraná, Darci Frigo, esse atentado será denunciado na reunião do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos, em Brasília, na quarta-feira.
Frigo disse que Lapacho é um dos líderes mais antigas do Estado. Ele mora no Assentamento Marreca, junto com outras 20 famílias, desde 1987. Marcos Mendes voltava da Escola João Miguel Maio, que fica no distrito de Ibema, com o colega Vagner do Prado, também de oito anos, que não foi atingido.
Frigo afirmou que, nos últimos dias, Lapacho, teria-lhe contado sobre ameaças que vinham recebendo. "Ele disse que a barra estava pesando", disse o coordenador da CPT. "Tinha gente olhando atravessado." Segundo o líder teria dito para Frigo, um Opala branco vinha andando de forma suspeita pela cidade, sendo ocupado por quatro homens. Frigo disse não ter conhecimento de que Lapacho tenha feito qualquer queixa na delegacia sobre suas suspeitas.
O coordenador da CPT disse acreditar que existe ligação entre os três últimos casos de violência contra membros do MST no Paraná. O primeiro aconteceu no final de março, quando foi morto Eduardo Anghinoni, irmão do líder do movimento no noroeste do Estado, Celso Anghinoni. Eduardo, que morava em Medianeira, no oeste, visitava o irmão no Assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte, e foi morto dentro de casa. A polícia conseguiu fazer o retrato-falado do possível pistoleiro.
No dia 6, o agricultor Seno Staats, do Assentamento Perseverança, em Renascença, no sudoeste, foi sequestrado, ficando em poder de alguns pistoleiros por várias horas. Staats foi torturado e recebeu ameaças de morte contra ele e sua família. A polícia de Francisco Beltrão prendeu sete suspeitos pelo atentado.
"Houve algum momento nessas últimas três semanas em que se decidiu utilizar a violência armada", disse Darci Frigo. "O ataque tem-se dado de forma seletiva, mas também contra as famílias das lideranças."
Segundo ele, o início da violência coincide com a cobrança por parte da bancada ruralista na Assembléia Legislativa para que o governador fizesse as reintegrações de posse determinadas pela Justiça.


