Os cerca de 500 manifestantes que estavam acampados desde o último dia 12 nas proximidades da fazenda dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG), começaram ontem a deixar o local depois do acordo entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o governo.
A decisão de deixar o acampamento foi tomada por volta das 15 horas de ontem, quando o ministro Raul Jungmann (Desenvolvimento Agrário) concordou em receber os líderes dos sem-terra, desde que eles se afastassem da fazenda Córrego da Ponte.
Na assembléia em que o acordo -firmado com a participação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)- foi comunicado aos acampados, o líder do grupo, Lucídio Ravanello, disse que ‘‘o recuo foi um voto de confiança na igreja e nos advogados’’. ‘‘O governo já deu o calote na gente duas vezes, mas, se mentir para a CNBB, vai para o inferno mesmo’’, disse Ravanello, demonstrando descontração.
No final da tarde de ontem, os sem-terra aguardavam a chegada de 12 ônibus e caminhões que os levariam até a sede do município de Buritis, distante 70 km da fazenda Córrego da Ponte, onde ficariam acampados na quadra aberta de um ginásio poliesportivo. A distância foi um dos pontos que contaram para o acordo ser concluído. Na semana passada, os sem-terra se afastaram 16 km, mas retornaram a pé depois do fracasso das negociações com Jungmann, que considerou pequena a distância.
O Exército e a Polícia Federal, que fazem a segurança da fazenda desde o dia 10, afirmaram ontem não ter ainda perspectivas de deixar a área.
Pouco depois do meio-dia, os sem-terra demonstravam disposição em radicalizar. Além do reforço na segurança -havia dois dias que todos os acampados andavam armados com porretes, facões ou foices-, existia a decisão de iniciar um jejum a partir da manhã de amanhã (havia cerca de dez voluntários) e de dar o caráter de permanente e de nacional ao acampamento de Buritis.
A idéia dos sem-terra era mobilizar até 1.200 pessoas, trazendo assentados de Goiás, de Minas, da Bahia, de São Paulo e até do Rio Grande do Sul.

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