Três meses depois de terem ocupado a Fazenda Agropecuária Neblina, mais conhecida como Copersucar - localizada na região da Água das Pedras, município de Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina) - 50 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram retirados do local. A reintegração de posse foi executada na manhã de ontem com a presença de um oficial de Justiça e apoio de um efetivo de 150 policiais militares de Rolândia, Londrina, Maringá, Apucarana e Cornélio Procópio.
Viaturas da polícia e do Siate chegaram ao local por volta das 6 horas, quando comunicaram os integrantes do movimento sobre a presença do oficial de justiça. ''Logo quando chegamos na entrada da fazenda, encontramos algumas pessoas e então lemos o documento de reintegração de posse para eles. Foi tudo muito calmo, sem problemas'', disse o subcomandante do 15º Batalhão da Polícia Militar, major Edwaine Arduin.
Segundo o líder do grupo, Cláudio Fernandes, as famílias haviam checado no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que a propriedade estava improdutiva há 17 anos. ''A gente sabe que o que manda nesse país é o dinheiro, então não podemos desrespeitar o Estado e vamos sair. Nós só vamos querer receber do que plantamos aqui durante esse tempo que ficamos'', disse.
Essa foi a segunda invasão da propriedade. Integrantes do movimento não descartam uma terceira invasão. Eles afirmaram ter plantado milho, feijão e tomate e lamentaram ter que abandonar o local. Pedro Augusto dos Santos, 70 anos, desmontava o barraco pensando em ir embora para Bela Vista do Paraíso onde tem familiares. ''Eu até tenho uma casa pra morar, mas lá eu não consegui emprego. A gente não quer ficar parado, queremos produzir'', comentou. Já o sem-terra Luis Carlos Rodrigues, 36, que não possui família e diz que vai seguir os integrantes do grupo para onde forem. ''Vamos aguardar agora, ver o vai ser da gente'', disse.
Cinco caminhões foram providenciados por um dos proprietários da fazenda, Carlos Eduardo Santa Rosa, para retirada dos pertences das famílias. A ação foi rápida e logo no final da manhã a área estava desocupada.
De acordo com o líder do grupo, as pessoas seriam deslocadas para o Sítio dos Carneiros, próximo à Fazenda Copersucar cujo dono teria permitido a entrada dos sem-terra. ''É uma pessoa que é amigo do movimento e apóia a reforma agrária. Vamos ficar por lá temporariamente, até que possamos resolver para onde seguir'', disse.
No início da tarde, Santa Rosa entrou na fazenda com funcionários. Contrariando o líder do movimento, ele disse que as informações que constam no Incra sobre a fazenda mostram que a área é produtiva. ''A reintegração de posse chegou a sair logo que eles invadiram, mas houve uma demora para o cumprimento porque há outras fazendas passando pela mesma situação no Estado. Quando eles chegaram aqui, estavam terminando a colheita de soja. O que eles plantaram, poderão reinvindicar na Justiça'', disse Santa Rosa.

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