O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) responderá até o dia 10 se aceita ou não a proposta do governo de criar uma comissão para discutir a reforma agrária. A sugestão foi feita pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, no encontro com os principais líderes do movimento, no dia 18 de abril. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já deu o aval para a abertura de negociações.
Ontem, Dia do Trabalhador, o MST deixou Brasília convencido de que a principal vitória da marcha dos mil quilômetros foi a adesão popular. ‘‘Saímos felizes e fortalecidos’’, comemorava um dos coordenadores do movimento, Gilberto Portes. ‘‘Conquistamos o coração do povo, que nos legitimou a continuar a luta.’ Segundo ele, a partir da marcha a população conheceu ‘‘a real dimensão dos problemas agrários’’.
O coordenador explicou que o MST está consultando os estados e as entidades que apóiam o movimento, entre elas a Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a CUT e a Igreja, sobre a proposta do governo. A CNBB acha que o movimento deve indicar um representante na comissão.
‘‘Mas o fato de estarmos estudando a sugestão não diminui nossa luta’’, ressalvou Gilberto, reafirmando que o MST continuará com as ocupações como forma de pressionar as autoridades de Brasília. ‘‘Só sentar na mesa não adianta, porque só a luta faz o governo agir.’
Ontem, poucos líderes ainda permaneciam na cidade. João Pedro Stédile, um dos principais articuladores do MST, foi embora ainda pela manhã. Alguns sem-terra caminharam até a Praça dos Três Poderes, entre o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, onde estenderam a bandeira do MST. Uma última assembléia foi realizada nas proximidades do Gran Circo Lar, mas o cronograma de atuação do movimento já estava definido.
No segundo semestre, a atuação será intensificada. Para o dia 25 de julho, está programada um grande mobilização no Dia do Trabalhador Rural. Entre os dias 28 e 30, educadores do MST se reúnem em Brasília para discutir o ensino na zona rural.
Em setembro, pequenos produtores de Carazinho partem para Porto Alegre, a 380 km do município, em tratores e carroças carregados de produtos para a mobilização em torno do Grito da Terra. O MST busca ainda patrocínio para o lançamento de um novo CD, com músicas de autoria dos próprios trabalhadores rurais e de outros 40 músicos brasileiros que se colocaram à disposição do movimento.

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