MST decide permanecer na praça
Emerson Cervi
De Curitiba
O acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Curitiba não será desmontado. O anúncio da continuidade dos acampados na praça em frente ao Palácio Iguaçu, foi feito ontem em entrevista concedida pelo coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, e pelo coordenador estadual, Roberto Baggio.
Desde o acampamento anterior, em abril, quando saímos depois de ouvir as promessas do governador e nada foi feito, chegamos à conclusão que é preciso fazer pressão continuada para ter algo concreto, disse Baggio. O acampamento em Curitiba continuará com cerca de 500 pessoas.
Depois da reunião de quinta-feira com o ministro Raul Jungmann, da política fundiária, coordenadores do MST no Paraná decidiram conversar com os acampados sobre a possibilidade de deixar Curitiba. Concluímos que o assentamento de 3,2 mil famílias, prometido por Jungmann para este ano, não resolve o problema emergencial da reforma agrária no Paraná, disse. Segundo ele, os sem-terra só saem da praça depois que todas as 9 mil famílias que estão acampadas em áreas irregulares estiverem assentadas oficialmente.
O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, José Carlos de Araujo Vieira, reafirmou que até dia 31 de agosto os processos de desapropriação de 20 áreas estarão concluídos. Vamos assentar 1,8 mil famílias nessas fazendas, como determinou o ministro.
João Pedro Stédile esteve em Curitiba ontem para participar de um debate com os acampadas sobre a programação de eventos para este semestre. Ele confirmou a reunião do MST com o ministro Jungmann na próxima quarta-feira, em Brasília. Existem falhas nas propostas para reforma agrária apresentadas pelo governo que nós exigimos correção, disse. Entre elas está o ajuste das metas de assentamentos para este ano. Pelo projeto do presidente, a prioridade seria para a região norte do País, enquanto as maiores demandas dos sem-terra continuam no Sul e Sudeste, argumentou.
Outra exigência dos sem-terra é que o Incra volte a ser o principal órgão federal de reforma agrária. O orçamento do Incra para este ano era de R$ 1,9 bilhão, mas com os cortes de quase 50% ele caiu para R$ 1,02 bilhão. Por determinação do Banco Mundial o governo começou a desmontar o Incra para que a reforma agrária ficasse sujeita a pressões do mercado e não concordamos com isso. É por este mesmo motivo que a direção do MST é contra o programa Banco da Terra, que vem sendo implantado em vários estados.





