MST decide deixar o acampamento em Buritis
Agência Estado
De Buritis
Os trabalhadores rurais de cinco municípios da região que estão acampados desde terça-feira em frente à Fazenda Córrego da Ponte, do presidente Fernando Henrique Cardoso, decidiram dar uma trégua ao governo e levantar o acampamento. A decisão foi tomada ontem às 10h30.
A desmobilização do acampamento deveria começar até o final da tarde. A fazenda está ocupada desde a madrugada de sexta-feira por 250 homens do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP).
O recuo do movimento é fruto do encontro ocorrido sexta-feira à noite, em Brasília, entre um grupo de assentados e a direção do Incra, que condicionou a liberação dos recursos para custeio (cerca de R$ 3 milhões), a partir de amanhã, à desmobilização dos agricultores. O acordo prevê a liberação dos recursos para os assentados dos 22 assentamentos e dois acampamentos prestes a ser regularizados.
Estamos dispostos a ceder para o governo para não sermos taxados de movimento radical, disse o líder dos assentados, Jorge Augusto Xavier. A desmobilização acampamento só foi possível após um telefonema dos líderes do movimento à chefe do Departamento de Conflitos Agrários do Incra, Maria de Oliveira, que atuou como interlocutora do governo.
Pelo acordo, os agricultores levantariam o acampamento mediante o cumprimento dos pontos acertados. Além da liberação imediata dos recursos, os manifestantes exigiam o transporte de retorno às suas áreas e a garantia do atendimento das reivindicações feitas ao Incra.
Os agricultores vão permanecer mobilizados em Buritis. Os trabalhadores acampados fizeram pela manhã procissão, saindo do acampamento até o Córrego da Ponte. Ao retornarem, eles se reuniram em frente ao portão da fazenda e fizeram um celebração religiosa, destacando o papel do profeta Moisés na liberação do povo hebreu do Egito.





