MST decide ampliar mobilização no BB
Da Redação
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pretendem, a partir da próxima segunda-feira, ampliar a manifestação ocupando agências do Banco do Brasil de todos os municípios do Estado. O movimento vai engrossar a mobilização dos agricultores familiares contra o governo federal. A decisão foi tomada em função da resolução do Banco Central, que regulamenta o Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf), que não atendeu às expectativas do movimento. Ontem, cerca de 150 pessoas voltaram a ocupar a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, em Curitiba.
A previsão do MST é que cerca de 80% dos assentados no Paraná fiquem sem crédito este ano em função das determinações do BC divulgadas ontem. Em Curitiba, os sem-terra pretendem ocupar todas as agências do Banco do Brasil e o prédio da superintendência regional do Banco Central.
As linhas de crédito para assentamentos e para a agricultura familiar foram unificadas este ano no Pronaf. A regulamentação publicada ontem prevê que o banco poderá liberar até R$ 7,5 mil por família para investimentos e outros R$ 2 mil para custeio da safra em novos assentamentos. Para os projetos de assentamentos antigos, o custeio foi limitado a R$ 1,5 mil por família. Os assentados que têm débitos com o Banco do Brasil, mesmo que estejam renegociados, não poderão fazer novos empréstimos.
Ontem em Londrina, os manifestantes trocaram o local do protesto: saíram da agência Pioneiros, em frente ao Coreto do Calçadão da Avenida Paraná, e foram para a agência Centro, também no Calçadão. Ocuparam o espaço reservado para os caixas eletrônicos da agência e ficariam lá durante todo o dia.
Os assentados da microrregião de Cascavel começaram a armar acampamento no início da noite, no Calçadão existente na frente da agência central do Banco do Brasil. São mais de 300 pessoas, que trouxeram de seus locais de origem colchões, cobertores, alimentos e até fogões, dispostas a permanecer no local até sair o dinheiro.
Uma das preocupações era com a higiene, pois não há sanitários públicos na área. Hoje, eles devem pedir apoio à prefeitura, inclusive para a contratação dos serviços do pipi móvel, um sanitário montado na carroceria de um pequeno caminhão, que é alugado para eventos ao ar livre na cidade.
Os trabalhadores rurais de quatro assentamentos da região de Guarapuava também estão dispostos a lotar quatro ônibus e invadir a sede do Incra, em Curitiba, caso não sejam liberados recursos para habitação, fomento inicial (aquisição de alimentos e ferramentas), custeio agrícola e investimentos. (Participaram Emerson Cervi, Luciana Pombo, Curitiba; Lúcio Horta, Londrina; Paulo Pegoraro, Cascavel; Luiz Carlos Dias, Guarapuava).A partir de segunda-feira, sem-terra engrossam movimento dos agricultores familiares e devem ocupar agências do Banco do Brasil em todo o Estado
Paulo WolfgangPersistênciaTrabalhadores sem-terra fizeram manifestação na agência Centro do Banco do Brasil ontem em Londrina





