Teodoro Sampaio, SP - O coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Paulo Costa Albuquerque, disse que o movimento vai se mobilizar contra o projeto assinado ontem pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) para regularizar as terras do Pontal do Paranapanema, no extremo oeste de São Paulo. Pela análise do MST, segundo Albuquerque, a proposta permite aos fazendeiros tornar legal uma posse irregular das terras. ''Legalizar terra devoluta é crime contra o patrimônio público'', disse.
O projeto será analisado e votado pela Assembléia Legislativa de São Paulo. Segundo o líder dos sem-terra, a proposta levou em conta apenas os interesses dos fazendeiros. ''Não há garantia de que parte das terras será destinada à reforma agrária.'' Dar a terra para os ruralistas, segundo ele, é deixar de cobrar uma dívida social que eles têm com o povo de São Paulo. ''Durante muitos anos eles exploraram essas terras sem que fossem donos e deveriam pagar por isso, mas estão sendo premiados.''
Para o coordenador, o MST espera que o governo de São Paulo dê sequência rápida às ações discriminatórias que tramitam no Tribunal de Justiça (TJ) visando a arrecadação de áreas no Pontal para assentamentos. ''Tem mais de 100 mil hectares já julgados, faltando só arrecadar.'' Segundo ele, para isso, o governo federal já repassou cerca de R$ 36 milhões ao Estado. ''A única solução para evitar os conflitos é assentar as famílias.''
O MST pretende mobilizar parlamentares de bancada simpáticas à reforma agrária para modificar o projeto ou impedir sua aprovação. As manifestações não estão descartadas. ''O Pontal pode se levantar'', afirmou.

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