O MST definiu uma estratégia para ocupar 50 mil hectares de fazendas na região de Avaré (Oeste de São Paulo), a partir de janeiro. Auxiliados por sindicatos ligados à CUT e à Comissão Pastoral da Terra (CPT), dirigentes esperam cadastrar pelo menos 2 mil famílias para as invasões.
Se não houver candidatos suficientes na região, serão convocadas famílias que já estão cadastradas em cidades de maior porte, como Bauru, Sorocaba e Campinas. ‘‘Já temos famílias dessas regiões em nosso acampamento’’, disse o coordenador estadual Miguel Serpa, líder do Acampamento Zumbi 2, na cidade de Iaras.
A tática, segundo Serpa, é tomar posse de terras cujos títulos de propriedade possam ser discutidos na Justiça. ‘‘Só não vamos ocupar aquelas comprovadamente produtivas’’. O conceito de terra produtiva não inclui as fazendas de reflorestamentos, que são comuns na região, segundo ele. ‘‘Com raras exceções, essas fazendas não empregam ninguém e não cumprem nenhuma função social’’, disse.
O coordenador acredita que a região de Avaré poderá se transformar em um novo Pontal do Paranapanema por causa da quantidade de terras cuja titularidade é contestada pelo MST. ‘‘Na verdade, o governo é dono destas áreas, adquiridas em 1910 para um projeto de reflorestamento que acabou não vingando’’, disse. Os atuais proprietários ‘‘grilaram’’ as fazendas e não têm documentos que comprovam a propriedade, segundo ele.

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