O delegado José Mayer Krichaki, da Polícia Civil de Turvo (38 km ao norte de Guarapuava), deve divulgar hoje à tarde o segundo laudo médico realizado no filho de um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na região Centro-Oeste do Estado. O laudo deve apontar se o menino Marcos Luiz Mendes, 8 anos, foi ferido no braço por um dos disparos dados por três homens que ocupavam um Opala branco na manhã de segunda-feira.
O primeiro exame, realizado no Hospital Bom Jesus de Turvo, foi contestado pelo pai do garoto, Etuino Luiz Mendes, conhecido como Lapacho. Ele não aceitou a versão dada por um médico que dizia que o ferimento havia sido causado por um objeto cortante, como um canivete ou um caco de vidro.
Segundo o delegado Krichaki, se o menino tivesse levado um tiro, ou a bala estaria alojada ou o braço do garoto estaria quebrado. ‘‘Com qualquer que seja o resultado do exame, já foi aberto inquérito policial para apurar os fatos’’, disse. ‘‘Policiais da PM encontaram o veículo Opala em um arrastão. Ele foi vistoriado, mas nenhuma arma foi achada. Sabemos apenas que o proprietário veio para a cidade com a intenção de vender o veículo’’, afirmou.
Para um integrante do MST, que preferiu se identificar apenas como Mário, o clima no assentamento Marrecas, no distrito de Ibema, em Turvo, é tenso. ‘‘Todos estão revoltados. Queremos que a polícia encontre os autores do atentado’’, disse. Mário afirmou que o atentado é uma estratégia para pressionar os integrantes do MST, fazer provocações e desestabilizar o movimento.
Segundo o integrante do MST, o menino Marcos Luiz Mendes e Wagner do Prado, também de 8 anos, voltavam das aulas de reforço na Escola Municipal João Miguel Maio, quando foram abordados por um Opala a 400 metros de casa. O atentado ocorreu às 10h30 e um dos dois tiros disparados atingiu o braço de Marcos, que saiu correndo assustado. Marcos disse à polícia que no Opala estavam três homens, que fugiram em seguida. O novo exame, realizado no Instituto Médico-Legal (IML) de Guarapuava, foi feito pelo médico Luiz Fernando de Abreu Condessa.

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