Edna Mendes
De Cornélio Procópio
O advogado Paulo Roberto Salle, que defende os sem-terra acampados na Fazenda Nossa Senhoria Aparecida, em Bandeirantes (34 quilômetros a leste de Cornélio Procópio), contestou ontem o agropecuarista Antonio Magno Garcia Ribeiro, que, em reportagem publicada no dia 10, acusa os sem-terra de ter matado gado de sua fazenda e de ameaçar seus funcionários com armas.
Na semana passada, o agropecuarista afirmou que é arrendatário de parte de fazenda e que os sem-terra mataram quatro vacas de seu plantel e que outros oito animais estavam desaparecidos.
‘‘Se as vacas foram abatidas foi porque antes disso tudo o senhor Magno soltou seu gado sobre a área que os sem-terra tinham preparado para o plantio. Ele chegou a nos procurar para um acordo, mas só nos fez propostas indecorosas’’, afirmou. Salle disse que o agropecuarista também se encontra em situação irregular na área, porque a fazenda está sob interdição do Banco do Brasil.
Segundo o advogado, a fazenda, que tem cerca de 740 alqueires, foi entregue ao Banco do Brasil para quitar uma dívida do ex-proprietário Milton Pasqualino. Ele disse ainda que a área já foi declarada improdutiva pelo Incra e desapropriada através de decreto presidencial publicado no Diário Oficial da União no dia 12 de novembro. A área foi ocupada pelos sem-terra no dia 3 de novembro.
De acordo com o MST, o Banco do Brasil já teria entrado com pedido de reintegração de posse contra o fazendeiro e que ele estaria acumulando multas diárias pelo uso ilegal da área.
O advogado disse que o fazendeiro afirmou que colocaria o gado numa área de 200 alqueires e que os sem-terra ficariam com 80 alqueires.
O advogado também acusa o fazendeiro de ter cerca de 50 jagunços munidos com armas de grosso calibre na área para intimidar os acampados. A Folha tentou, ontem à tarde, ouvir o fazendeiro sobre as acusações do MST, mas ele não foi encontrado e nem retornou as ligações.

mockup