MST bloqueia quatro agências bancárias no Pontal
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terça-feira, 14 de setembro de 1999
por Luiz Carlos Lopes 
Marília, SP, 15 (AE) - O Movimento dos Sem-Terra (MST) do Pontal do Paranapanema, comandou hoje (15) o bloqueio de quatro agências do Banco do Brasil na região, em protesto contra a falta de liberação de créditos para produção agrícola das famílias assentadas. A ação impediu o funcionamento das agências de Teodoro Sampaio, Primavera, Presidente Bernardes e Rancharia. Em Santo Anastácio, onde também deveria haver bloqueio, a agência funcionou normalmente.
De acordo com a direção do MST em Teodoro Sampaio, o bloqueio, programado para ser mantido somente hoje, foi adotado para servir de alerta às autoridades federais que não estariam cumprimento promessas de liberação de créditos, feitas pelo ministro de assuntos fundiários, Raul Jungmann. Em nota distribuida, o movimento reivindica recursos de R$ 100 milhões destinados a implantação de assentamentos, produção e desapropriações, que seriam devidos desde o ano passado.
Além disso exige urgência na liberação de créditos de custeio para a safra 99/2000, pelas novas regras do Pronaf (Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar), cujas normas ainda não chegaram a rede bancária e, se não forem agilizadas, podem atrasar a época do plantio. Segundo o MST, o bloqueio das agências bancárias poderá ser repetido caso suas reivindicações não sejam atendidas. Em Teodoro Sampaio, o gerente do Banco do Brasil, José Lopes Gutierrez, disse que aproximadamente 300 pessoas ligadas ao MST chegaram logo pela manhã a agência e mantiveram-se do lado de fora impedindo o acesso de funcionários e clientes.
O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, estará na sexta-feira em Araçatuba, participando do projeto Dia "P" organizado pelo Banco do Brasil, que prevê a assinatura de 600 contratos de financiamentos do Pronaf para agricultores daquela região.
Segundo o banco, o Dia "P" teve início no dia 1 de junho e com as assinaturas previstas para hoje, deverá atingir em São Paulo, 17.500 operações, no valor de R$ 70 milhões, dos quais R$ 37,5 milhões referentes a renovação de contratos anteriormente existentes.
Até o fim do ano o Banco do Brasil pretende assistir 19 mil pequenos proprietários rurais com recursos do Pronaf.


