MST bloqueia ponte na divisa com SP
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terça-feira, 01 de junho de 1999
Lucinéia Parra 
Cerca de 400 trabalhadores sem-terra de três assentamentos e dois acampamentos do município de Mirante do Paranapanema (SP) bloquearam por aproximadamente três horas e meia, a ponte da represa de Taquaruçu, que divide os Estados de São Paulo e Paraná. Eles reivindicaram a liberdade de 41 trabalhadores sem-terra presos no Paraná e São Paulo, e a suspensão das desocupações que estão sendo feitas na região de Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí).
José Rainha Júnior participou do protesto e evitou falar como líder dos trabalhadores. Ele disse que está afastado da liderança, mas não se furtou de criticar o governo do Paraná pelas desocupações das fazendas localizadas em Querência do Norte. Segundo ele, a Polícia Militar está intimidando a amedrontando os sem-terra do Paraná. De acordo com Cledson Mendes, um dos coordenadores do MST e principal articulador do protesto realizado ontem, os governos do Paraná e São Paulo estão tentando impedir a reforma agrária.
Mendes disse que o protesto é em repúdio às prisões dos sem-terra de Querência do Norte e Santa Cruz do Monte Castelo, e também de Sorocaba (SP). Nem na época da ditadura o governo agia com tanta violência contra os trabalhadores, afirmou. Segundo ele, a Polícia Militar do Paraná agiu como na época da ditadura ao entrar nos acampamentos dos trabalhadores sem-terra de madrugada. E por trás da ação policial ainda estão os fazendeiros que agora estão colhendo tudo o que os sem-terra plantaram e não deixam nossos companheiros colher nada, afirmou.
Durante o protesto, uma fila de caminhões de aproximadamente dois quilômetros se formou a partir da ponte até a rodovia que dá acesso ao município de Sandovalina (SP). Do lado do Paraná, a fila de caminhões foi menor porque a Polícia Militar se antecipou e bloqueou a rodovia PR-542 cerca de 30 quilômetros antes da ponte onde ocorreu o protesto.
A maioria dos manifestantes é dos assentamentos Paulo Freire, Antônio Conselheiro e Che Guevara, todos localizados em Mirante do Paranapanema (SP). Também participaram sem-terra dos acampamentos Padre Josimo e Fusquinha. O protesto que começou de forma organizada às 9 horas, acabou por volta das 12h30 sem nenhum incidente. Cerca de 30 policiais militares das polícias de São Paulo e Paraná, acompanharam de longe a manifestação. Os sem-terra, conforme Mendes, vão se mobilizar em novas formas de protestos até que os trabalhadores presos sejam colocados em liberdade.
Em nota distribuída ontem o MST do Pontal acusou Lerner de instalar no Paraná um regime de arbitrariedade, terror e medo. O documento afirma que o governador paranaense executou, desde abril, uma aventura militar caríssima, mobilizando mais de dois mil policiais, cães treinados, helicópteros, mais de 100 viaturas, 30 ônibus, para bloquear estradas e fazer o despejo violento dos trabalhadores, humilhando mulheres e crianças, fazendo prisões em massa e torturando inocentes. Diolinda Alves de Souza, dirigente local do MST e mulher do líder José Rainha Júnior, viajou para Maringá, onde participa de manifestação de protesto contra a prisão dos militantes.


