MST bloqueia estrada em protesto contra prisão de sem-terra
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2000
Por José ¶ngelo Santilli, especial para a AE 
Araraquara, SP, 01 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) bloqueou, hoje, parcialmente, por uma hora e meia, a Rodovia Washington Luiz, sentido interior-capital
no quilômetro 314, em frente ao Acampamento dom Helder Câmara, localizado na Fazenda Chimbó, em Matão, interior de São Paulo. A interdição foi um protesto contra a prisão de integrantes do movimento, ontem, e a negativa da Justiça em conceder habeas corpus em favor dos sem-terra detidos após manifestação no pedágio da Rodovia Castelo Branco. Seis deles estão presos há 80 dias.
A interdição teve início por volta das 13 horas e, às 14h30, a pista já estava liberada ao tráfego. Viaturas das Polícias Militar e Rodoviária acompanharam a manifestação; nenhum incidente foi registrado. Durante o bloqueio, os sem-terra distribuiam panfletos aos motoristas; a cada 10 minutos eles liberavam parte dos veículos. Empunhando foices, facões e enxadas, os manifestantes protestaram contra a prisão integrantes do movimento que participaram de protestos no pedágio e de mais três integrantes do MST, ontem, em nova manifestação naquela região, entre eles, dois dirigentes estaduais: João Paulo Rodrigues e Soraia Soriano. Política - Para Keli Mafort, da direção estadual do MST, com a negativa de concessão do habeas corpus, as prisões passaram a ser políticas. "Nossos companheiros são réus primários e têm residência fixa. Para o MST, esta é uma estratégia do governo de criminalizar o movimento", disse a dirigente. Na Rodovia Washington Luiz o protesto foi pacífico, mas o movimento não descarta manifestações no pedágio entre Matão e Araraquara, caso não seja concedida liberdade aos sem-terra.
O MST defende as ações nos pedágios. "Não podemos concordar com a cobrança dos pedágios, além de todos os impostos cobrados temos mais este; e pior, ao invés deste recurso ser investido em melhorias para o povo, vai para o bolso de um empresário", diz o folheto distribuído aos motoristas. "O governo está invertendo prioridades com os pedágios - que representam apenas interesses particulares de empresas - ao invés de investir em saúde, educação e reforma agrária", diz Keli.


