MST bloqueia entrada da prefeitura
Giovani Ferreira
Um grupo de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) fechou ontem, por aproximadamente uma hora, as entradas principais da Prefeitura de Curitiba. Eles continuam reivindicando infra-estrutura para o acampamento montado em frente ao Palácio Iguaçu, onde mais de mil pessoas estão participando de uma manifestação que teve início na última terça-feira. Os sem-terra ficaram na prefeitura das 10 horas às 10h50.
Enquanto um grupo de quatro líderes do movimento era recebido pelo secretário de governo municipal, Antônio Carlos Araújo, pelo menos 100 militantes do MST esperavam do lado de fora, bloqueando as duas entradas da prefeitura em frente à Avenida Cândido de Abreu. O manifesto prejudicou o expediente na prefeitura, obrigando a população a entrar no prédio por um acesso secundário.
Entre as principais solicitações dos sem-terra, está o pedido de lonas plásticas, para serem usadas na cobertura das barracas. Segundo Élcio Benke, um dos líderes do movimento, muita gente está ficando doente por causa da chuva e do frio. Eles ainda pediram estrutura para organizar o lixo, tanques de lavar roupa, alimentos para as crianças e remédio. Conforme números do MST, existem entre 200 e 250 crianças com menos de sete anos no acampamento.
O secretário Araújo disse que a prefeitura está atendendo os manifestantes na medida do possível. Segundo ele, existem coisas que a prefeitura não pode fazer, como por exemplo distribuir certos tipos de remédios sem receita médica. O município comprometeu-se em levar leite para as crianças, providenciar sacos de lixo, arrumar alguns tanques e conseguir pelo menos um pouco dos 18 rolos de lonas solicitados.
Em tom de ameaça, Élcio Benke disse que os sem-terra estão revoltados com a falta de estrutura e com o atendimento da prefeitura, que eles avaliam como precário. Não sabemos até quando poderemos segurar esse povo, disse Benke. Além de não descartar a invasão do prédio, ontem eles ameaçaram acampar no jardim em frente à prefeitura.
Araújo pediu aos sem-terra que definam uma comissão permanente para negociar com o município. O grande números de pessoas que procura a prefeitura acaba dificultando a conversa, disse Araújo. O secretário disse que quando forem negociar, os sem-terra não podem levar dezenas de militantes, prejudicando as demais pessoas que precisam da prefeitura.
Muita gripe, tosse, resfriado e dificuldades respiratórias são os problemas de saúde mais comuns entre os cerca de mil sem-terra acampados em frente ao Palácio Iguaçu, que enfrentam o frio de Curitiba apenas sob a lona preta. Para evitar problemas mais sérios, agentes da Secretaria Municipal de Saúde iniciaram, ontem, um levantamento das condições de saúde entre os acampados, medicando e encaminhando os casos que exigem cuidados médicos para atendimento em hospitais e na Unidade de Saúde 24 horas do Boa Vista.
Depois de uma reunião com os representantes de saúde do acampamento (pessoas destacadas para auxiliar os doentes), os agentes decidiram separar o grupo entre crianças, idosos, mulheres e outros. Uma ambulância também ficará 24 horas em frente ao local para atender emergências. Cinco sem-terra já foram encaminhados para consulta médica.
As crianças e adultos também tiveram uma surpresa nos últimos dois dias. Agentes da Pastoral do Menor e crianças assistidas pela entidade estão levando brinquedos, doces, roupas e mantimentos aos sem-terra. Assim as nossas crianças, que vivem problemas urbanos podem conhecer o outro lado das dificuldades na área rural, diz Mônica Nobre Ramos, assessora da Pastoral. (Colaborou Maigue Gueths)Integrantes do grupo que está em frente ao Palácio Iguaçu desde terça-feira reivindicaram infra-estrutura para o acampamento
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