MST bloqueia agências bancárias no Pontal
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terça-feira, 23 de maio de 2000
Agência Estado De Teodoro Sampaio, SP 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Pontal do Paranapanema bloqueou ontem dez agências do Banespa e Banco do Brasil, em seis cidades da região, para protestar contra a suspensão dos créditos da reforma agrária determinada pelo governo federal. No fim da tarde as agências seriam liberadas, conforme anunciou o líder dos manifestantes, José Rainha Júnior, que considerou o protesto uma operação para esquentar os motores tendo em vista novas ações que serão realizadas nos próximos dias.
A Polícia Militar limitou-se a registrar as ocorrências, sem adotar qualquer medida para desobstruir os bancos.
Segundo a PM, cerca de 700 pessoas participam da manifestação. O MST estima em mil o número de sem-terra mobilizados. Com o bloqueio, foram impedidas de funcionar as agências e postos de atendimento do Banco do Brasil e do Banespa em Presidente Bernardes, Teodoro Sampaio, Euclides da Cunha e Primavera.
Além daquelas cidades, o Banespa também foi impedido de
funcionar em Mirante do Paranapanema e Sandovalina, onde não existem agências do Banco do Brasil. Segundo Rainha, a manifestação objetivou pressionar os governos do Estado e da União, para a liberação imediata de créditos para o plantio da safra de verão. Ele protesta contra a retenção de créditos do Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf) e do Fundo de Expansão da Agropecuária e da Pesca (Feap). Nas agências do Banespa foram colocadas faixas contra a privatização do banco. No Banco do Brasil a frase escolhida foi fora FHC, fora FMI.
O líder informou ainda que pretende aproveitar a próxima reunião da Confederação das Cooperativas da Reforma Agrária (Conclab), marcada para o início do próximo mês, em São Paulo, para apresentar proposta à direção nacional do MST com o objetivo de desencadear operações maciças de bloqueio às agências do Banco do Brasil em todo o País, caso o governo não libere recursos para os assentamentos.
Segundo Rainha, o bloqueio das agências do Banespa foi adotado para servir de alerta ao governo do Estado, visando a liberação de recursos para o plantio de mandioca nos assentamentos. O líder informou ter recebido, em março, promessa do Secretário da Agricultura do Estado, José Carlos Meireles, de liberação de financiamentos através do Feap para atender as famílias.
Rainha acusou ontem o governo estadual de haver liberado R$ 5 milhões daquela verba para promover uma parceria de plantio de algodão , na fazenda Santa Maria, pertencente a família do ex-governador Sodré e administrada por seu genro, Jovelino Mineiro que é sócio do presidente Fernando Henrique Cardoso na fazenda Berro DAgua, em Buritis-MG. O projeto envolveu 52 famílias de arrendatários e segundo ele, o contrato de arrendamento termina em junho e foi um fracasso.
O líder dos sem-terra no Pontal informou que pelo menos quatro ônibus, transportando assentados e acampados da região, deverão apoiar o ato público programado por funcionários públicos em greve para a quinta (25) em frente ao Palácio dos Bandeirantes e na Avenida Paulista, em São Paulo.


