MST bloqueia acesso à usina no Paraná e consegue cesta básica
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segunda-feira, 12 de julho de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Cerca de 300 integrantes de um grupo de trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Trabalhores Rurais Sem-Terra (MST) bloquearam ontem a rodovia PR-662 próxima a Foz do Jordão (115 quilômetros ao sul de Guarapuava). O protesto começou às 6 horas e terminou às 14 horas. As famílias exigiam do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a agilização na desapropriação da fazenda Trombini, onde estão acampados em frente há um ano e meio, e o envio de cestas básicas.
Segundo o sargento da Polícia Militar (PM) de Foz do Jordão, que intermediou as negociações entre as famílias e o Incra, José Heron Goulart, a manifestação foi pacífica. Assim que o Incra se comprometeu de enviar as cestas básicas, o que deve acontecer na próxima segunda-feira, o grupo liberou a estrada. A rodovia é o único trecho de acesso à Usina de Segredo, que é da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Goulart informou que os funcionários da usina não puderam passar até a liberação da estrada.
O superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, informou que a curto prazo não há como atender a demanda das famílias que estão acampadas naquela região. ''Estamos cumprindo a meta de assentar em média 3 mil famílias por ano. Mas são 13,9 mil famílias na beira das estradas. Eles precisam ter paciência'', afirmou. A reportagem da Folha não conseguiu contato com nenhum membro do MST que soubesse falar sobre o protesto.
Outro grupo de trabalhadores rurais, sem ligação com o MST, e que invadiu uma área da fazenda Araupel em Quedas do Iguaçu (165 quilômentros a leste de Cascavel) na noite da última sexta-feira, ainda não deixou o local. O advogado da Araupel, Paulo Macarini, garantiu que o pedido de reintegração de posse será protocolado hoje na Justiça. ''Lá é uma área de reflorestamento, de onde a empresa está extraindo pínus. No local tem máquinas valiosas que, se desregulagadas, podem causar um prejuízo incalculável'', afirmou.
Macarini diz que boatos que estão circulando na região dão conta que as famílias de invasores são ligadas ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Região. O superintendente do Incra disse ter ouvido o mesmo comentário. O diretor do sindicato, Volnei Dalcanton, descartou qualquer ligação.
Lacerda informou que o Incra não vai se envolver na questão da Araupel para não gerar expectativas entre os invasores. A fazenda está vendendo ao governo federal 25 mil hectares para reforma agrária e, segundo Lacerda, para essa área já existe excedente de famílias e é inviável economicamente a desapropriação de mais uma parte.


