MST bloqueia acesso à Embrapa em Ponta Grossa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mais de 60 pessoas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) montaram acampamento, ontem de manhã, em frente a sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Ponta Grossa. Os manifestantes pedem ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que seja efetivada a compra de 618 hectares da fazenda da Embrapa, localizada na Rodovia do Talco, próximo ao Parque do Botuquara, e regularizado o assentamento. Desde 2003, as terras abrigam 60 famílias dentro do acampamento Emiliano Zapata.
Ontem, não houve expediente na sede da Embrapa porque os integrantes do MST impediram a entrada dos funcionários no local, segundo a Gerência do Escritório de Negócios em Ponta Grossa, que ainda acrescentou ter sido pacífico o bloqueio feito pelos manifestantes. O chefe da assessoria jurídica da Embrapa, Antônio Nilson Rocha, informou que já foi registrada uma ocorrência policial e que um advogado do órgão tomará providências para que, hoje, os empregados possam trabalhar em Ponta Grossa.
''É a terceira vez que isto acontece. Já conseguimos, outras vezes, liminar para que eles fossem retirados. A Embrapa prima pela legalidade, não podemos admitir que pesquisas de interesse nacional deixem de ser realizadas, que haja prejuízo'', disse Rocha.
O impasse na compra das terras se deve a ajustes na documentação, que seriam resolvidos com um geoprocessamento da área e posterior registro em cartório. Mas para Nilson Rocha esta é uma exigência do Incra, que deveria providenciar o levantamento já que possui técnicos qualificados para isto. A Embrapa só iria acompanhar os peritos. ''Estamos vendendo estas terras porque o Incra solicitou e porque o Iapar, que antes fazia uso da área, também aceitou. Agora, não vamos conviver com intransigências'', alertou.
Segundo Arilson de Assis, militante do MST e morador do acampamento Emiliano Zapata, os manifestantes só sairão do local quando obtiverem uma definição concreta sobre a compra das terras. ''Estamos aqui há quatro anos e sabemos que a Embrapa aceitou vender as terras, mas a negociação não avança. Falta mais um pouco de vontade política'', desabafou Assis, dizendo que moram no acampamento 250 pessoas.
O superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, informou que o órgão negocia as terras há um ano e meio, mas só após a matrícula definitiva do imóvel será possível efetivar a compra. ''A demora não é por falta de recursos, até porque essa área já foi avaliada duas vezes'', conta. ''Estudamos fazer um contrato de compra e venda com a Embrapa, uma transação entre dois órgãos públicos, para acabar com este conflito e fazer logo assentamento'', antecipa Lacerda. O chefe da Divisão de Obtenção do Incra-PR, que também é o Ouvidor Agrário do Estado, deve conduzir a negociação em Brasília.


