Cerca 1.600 assentados ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra bloquearam ontem 11 agências bancárias em cidades do Pontal do Paranapanema, interior de São Paulo. Os assentados exigiam a liberação de R$ 45 milhões em recursos do Programa Nacional de Crédito para a Reforma Agrária (Procera) para fomento e custeio agrícola. E protestaram contra a nova política de reforma agrária anunciada pelo governo federal e a criação pelo Banco do Estado de São Paulo (Banespa) e bancos privados de linhas de crédito para atender os assentamentos.
As agências foram desocupadas no final da tarde. Em Teodoro Sampaio, Presidente Bernardes e Primavera foram bloqueadas todas as agências dos municípios. Em Presidente Venceslau e Santo Anastácio alguns bancos não foram incluídos na ação.
De acordo com nota distribuída pelo MST, no Pontal do Paranapanema há mais de 5 mil famílias assentadas sofrendo retaliações do governo e do Banco do Brasil em relação a liberação de financiamentos. Para o dirigente nacional do MST, Cledson Mendes, um dos organizadores da manifestação de hoje, o bloqueio ‘‘é um alerta’’ de que as ações poderão se tornar mais radicais caso suas exigências não sejam cumpridas. Ele disse que os novos bloqueios podem ser por tempo indeterminado. ‘‘Se preciso, vamos morar em frente aos bancos’’, afirmou.
As agências bloqueadas no Pontal foram: em Santo Anastácio - Banco do Brasil e Bradesco; em Presidente Venceslau - Banco do Brasil; em Presidente Bernardes - Banco do Brasil, Banespa e Bradesco; em Teodoro Sampaio-Banco do Brasil , Banespa e Bradesco e em Cidade Primavera - Banco do Brasil e Banespa.
Fecularia O juiz Darci Lopes Beraldo, da comarca de Pirapozinho, suspendeu ontem o processo movido pelos proprietários da Fecularia Lareina, de Sandovalina, que pretendem retomar a direção da empresa após o período de arrendamento da empresa à Cooperativa dos Assentados da Reforma Agrária do Pontal (Cocamp), ligada ao MST. Com a decisão foi cancelado o mandado de reintegração de posse que o juiz havia concedido e deveria ser cumprido hoje pela Polícia Militar.
A decisão do juiz foi adotada atendendo argumento de exceção de incompetência apresentada pelos advogados da Cocamp, com base em cláusula que elege o fórum de Teodoro Sampaio para a discussão de pendências judiciais relacionadas ao contrato de arrendamento.
A direção do MST do Pontal criticou o juiz de Pirapozinho, que em duas ocasiões decretou a prisão preventiva de seus principais líderes. Segundo Cledson Mendes, ‘‘estamos pensando em processar o juiz por danos morais já que, ao acatar o pedido de reintegração de posse, ele parece que nem mesmo chegou a ler o processo’’.
O juiz explicou que a exceção de incompetência não pode ser declarada de ofício e para que seja aplicada é preciso que haja manifestação de uma das partes. Com a suspensão do processo
foi concedido prazo de dez dias para que os proprietários da fecularia se manifestem, após o que caberá ao próprio juiz Darci Beraldo decidir sobre sua competência em relacão ao caso.
Salvador Os seis funcionários do escritório regional do Incra em Salvador tomados como reféns por dois mil sem-terra,foram libertados no final da tarde, depois que o superintendente-adjunto Luís Gugé propôs negociar na Assembléia Legislativa do Estado. A ocupação do Incra aconteceu ontem pela manhã.
Representantes das três entidades que organizaram a ocupação, a Fetag, o MLT e a CUT, decidiram manter os trabalhadores dentro do prédio do Incra. ‘‘Vamos passar a noite aqui e estamos dispostos a desocupar o local quando o superintendente regional Francisco Clesson Dias Monte chegar a Salvador hoje para negociar com a gente’’, disse o presidente da Fetag, Édson Pimenta. Monte passou o dia ontem em Brasília e ficou de voltar para Salvador nesta quainta-feira.

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