MST atribui crime a pessoas infiltradas no movimento
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segunda-feira, 11 de agosto de 2003
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
A coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) continua vinculando a morte do trabalhador rural Francisco Nascimento de Souza, de 27 anos, a ruralistas. Na última sexta-feira foram presos três suspeitos de terem cometido o crime, um deles assentado e os outros dois integrantes de acampamentos do MST. Para a coordenação estadual do movimento, ''faz parte da estratégia dos latifundiários a infiltração de pessoas vinculadas ao crime organizado e a pistolagem nos acampamentos e assentamentos dos projetos de reforma agrária''.
Souza, que fazia parte do assentamento Nossa Senhora Aparecida, em Mariluz (35 km a sudeste de Umuarama), foi morto há uma semana com oito tiros de armas de calibres 380 e 765. Valdir Antonio Regação, de 30 anos, Aroldo de Marins, de 27 anos, mais conhecido como ''Nego D'água'', e Leandro Marques Mendonça, de 28 anos, foram presos em Umuarama com armas dos mesmos calibres. Regação também era assentado no Assentamento Nossa Senhora Aparecida, e Marins e Mendonça acampados em Mariluz.
Segundo o delegado de Cruzeiro do Oeste (25 km a leste de Umuarama), Roberto Penteado, os suspeitos negam a autoria do crime, mas uma perícia nas armas deverá apontar se elas foram ou não utilizadas no homicídio. O resultado da perícia deve ficar pronto em 10 dias. As investigações, segundo o delegado, apontam para divergências entre os próprios sem-terra como motivo do assassinato. ''Mas ainda não descartamos nenhuma hipótese. Francisco tinha divergências lá dentro, problemas com mulher, e há informação de que estaria envolvido com furto de carros. Estamos investigando, o crime ainda não foi esclarecido'', afirmou. Na última semana, entidades ruralistas da região negaram as acusações.


