MST anuncia retomada das ocupações
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segunda-feira, 01 de dezembro de 1997
Luiz Carlos Lopes Agência Estado Teodoro Sampaio 
Arquivo FolhaTensãoSem-terra prometem começar pela São Domingos, onde em fevereiro sete trabalhadores ficaram feridos em tentativa de ocupação O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Pontal do Paranapanema (SP), anunciou que pretende bloquear a agência do Banco do Brasil em Teodoro Sampaio, nas próximas horas, e retomar as ocupações de propriedades rurais na região a partir do dia 15. A primeira fazenda visada é a São Domingos, em Sandovalina, onde em fevereiro sete sem-terra ficaram feridos após tentativa de ocupação.
O anúncio foi feito anteontem, pouco depois do encerramento de uma reunião da Coordenação Regional do MST, por Diolinda Alves de Souza. A reunião avaliou os contatos mantidos em São Paulo durante manifestação, na semana passada, na superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na capital.
Acompanhada do coordenador Cléber Mendes, Diolinda criticou o superintendente do Incra em São Paulo, Jonas Villas-Boas. O coordenador Mendes disse que o MST já pediu ao presidente do Incra, Mílton Seligmann a substituição de Villas-Boas.
De acordo com Diolinda, o MST poderá bloquear a qualquer momento a agência do Banco do Brasil em Teodoro Sampaio. Ela indicou que a mobilização poderá acontecer entre hoje e amanhã. O objetivo dos sem-terra é pressionar o governo para conseguir a imediata liberação de recursos do Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Procera) para o financiamento do plantio agrícola.
O MST ainda exige a substituição do atual representante do Banco do Brasil junto ao Procera, acusado de dificultar a liberação de recursos.
Segundo Cléber Mendes, cerca de dois mil sem-terra poderão ser mobilizados a partir do dia 15 para ocupar novamente a Fazenda São Domingos, em Sandovalina. A propriedade, declarada improdutiva pelo Incra, e objeto de processo de desapropriação, está protegida por liminar concedida ao proprietário pela Justiça Federal.
Não vamos passar mais um Natal sem que as famílias estejam assentadas, disse Mendes. Ele lembrou que mais de 100 famílias que vivem no Acampamento Chico Mendes, (ex-Taquaruçu), ao lado da propriedade, aguardam há mais de dois anos a desapropriação da área.
Outra preocupação do MST está relacionada a revisão das vistorias de fazendas realizadas entre abril e maio, no Pontal. Na ocasião, os técnicos do Incra constataram a existência de 86 fazendas improdutivas. Há três semanas teve início a revisão do trabalho em 39 propriedades.
A líder sem-terra lembrou que o MST não vai aceitar alterações e que pretende intensificar as invasões de propriedades para forçar o assentamento de três mil famílias cadastradas pelo próprio Incra no início do ano, no Pontal.


