MST anuncia onda de ações após 1º turno
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segunda-feira, 27 de setembro de 2004
Eduardo Scolese<br>Folhapress 
Brasília, DF- O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) anunciou que após o primeiro turno das eleições municipais, no dia 3 de outubro, promoverá uma onda de ações no país para cobrar do governo federal o cumprimento da meta de assentamentos deste ano. Além de invasões de terra, os protestos incluem uma marcha de 10 mil pessoas a Brasília.
A iniciativa dos sem-terra teve origem na semana passada, quando o governo federal decidiu elevar o superávit primário deste ano para 4,5% do PIB (Produto Interno Bruto), o que, na prática, destinou cerca de R$ 4 bilhões no pagamento de dívidas, e não em investimentos no campo, por exemplo, como deseja o movimento.
Outra motivação para a retomada das ações tem como base um levantamento recente elaborado pelo MST. O documento indica que, das 70,1 mil famílias que o governo afirma ter assentado desde janeiro de 2003, apenas 5.440 delas (7%) são ligadas a acampamentos do movimento.
''As lutas vão ser retomadas depois das eleições. Vamos transformar outubro e novembro em meses de mobilizações. O governo precisa tomar uma posição oficial e definitiva sobre a promessa de recursos e de metas de assentamentos'', afirmou João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST.
Em março passado, pressionado pelos sem-terra, que anunciaram e cumpriram uma onda recorde de invasões no país, o presidente prometeu para até dezembro uma suplementação de R$ 1,7 bilhão ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, o que, somado ao orçamento original da pasta (R$ 1,4 bilhão), atingiria o valor necessário (R$ 3,1 bilhões) para cumprir a meta de 115 mil famílias assentadas em 2004.
Até o final do mês passado, quando o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) divulgou seu último balanço, o governo havia assentado 33,3 mil famílias -o que representa 29% da meta.


