Após um ano de trégua com o governo do Estado de São Paulo, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) afirma que vai retomar as ocupações de terras na região noroeste em 1998. A estratégia dos sem-terra para o ano que vem foi definida durante o encontro estadual do MST, ocorrido em Sandovalina (Pontal do Paranapanema) no último dia 20. Segundo o líder dos sem-terra em Colina (405 km a noroeste de São Paulo), Júlio Gontijo, o MST já tem cerca de 3.500 pessoas cadastradas na região para participar das invasões de fazendas. A região de Barretos, onde o movimento possui apenas um acampamento - o da Fazenda Experimental de Zootecnia, em Colina-, foi escolhida como um dos novos pontos de ocupações.
Mas os ruralistas também prometem intensificar suas ações em defesa das
terras. Para o diretor da UDR (União Democrática Ruralista) Antônio Renato Prata, de Barretos, o MST não se preocupa se as terras da região são improdutivas ou não. ‘‘As ocupações são ideológicas e violentas. O conselho que eu daria aos meus conterrâneos de Barretos é que o único argumento contra a violência é outra violência.’ Gontijo, que foi eleito diretor estadual do movimento durante o encontro, afirmou que a base do MST foi expandida este ano, principalmente nas cidades. Ainda em janeiro deverá ser inaugurado em Colina (110 km de Ribeirão) o primeiro escritório regional do MST na região.
‘‘A degradação econômica provocada pela política do governo é muito grande. Já temos uma base pronta para novas ocupações’’, disse Gontijo.

mockup