Recife, PE- O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vai promover neste mês uma nova onda de invasões de fazendas em todo o país. A ação está prevista para começar na próxima semana. O anúncio foi feito ontem em Recife pelo líder do movimento em Pernambuco, Jaime Amorim. Segundo ele, serão mobilizados principalmente os sem-terra dos acampamentos mais antigos.
Batizada pelos lavradores de ''novembro vermelho'', em alusão à série de invasões ocorridas há seis meses, no chamado ''abril vermelho'', a nova manifestação visa protestar contra o descumprimento das metas de reforma agrária fixadas pelo governo federal.
''O ano está acabando e a desmotivação no campo é geral'', disse Amorim. ''O governo não cumpriu o que prometeu, a repressão contra os trabalhadores continua e o número de acampamentos na beira das estradas está aumentando'', afirmou.
Além de reivindicar agilidade nas desapropriações, o líder do MST afirmou que ''há uma grande preocupação'' do movimento com os recursos a serem destinados à reforma agrária, em 2005. ''Vamos pressionar'', declarou.
O MST não divulgou quantas propriedades pretende tomar neste mês, nem os Estados em que deverão ocorrer os protestos. As coordenações estaduais definirão os locais prioritários das ações.
A intensidade das manifestações, porém, deverá ser semelhante à de abril. ''Só que não dá para comparar, porque aquele é um mês simbólico para todos nós (devido ao massacre de Eldorado do Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996)'', disse Amorim.
No ''abril vermelho'', 109 fazendas foram tomadas pelos sem-terra no país. Pernambuco liderou o ranking, com 23 invasões. São Paulo ficou em segundo lugar, com 14 áreas tomadas, duas a mais que Minas Gerais.
Amorim negou que a nova onda de invasões esteja relacionada ao fim das eleições, período em que os lavradores concederam uma ''trégua'' ao governo para que suas ações não fossem exploradas politicamente no pleito. Segundo ele, a realização de uma manifestação coletiva organizada ''é uma tendência natural'' no final de um ano ''de metas não cumpridas''.
''Chegando ao final do ano, a gente vê que, realmente, o governo fez muito pouco'', afirmou Marina dos Santos da coordenação nacional do MST no Rio de Janeiro.
Segundo Santos, 130 mil famílias ligadas ao MST, de um total de 200 mil, acampadas às margens de rodovias ou em fazendas invadidas estão fora do cadastro da reforma agrária.
Outra reclamação do movimento, de acordo com ela, é a deficiência na entrega de alimentos aos sem-terra acampados. ''São apenas três entregas do programa Fome Zero por ano'', afirmou. ''O pessoal está perdendo a paciência e a esperança neste governo, mas não na luta do movimento que continua'', disse o coordenador estadual do MST em Mato Grosso, Cláudio José Alves.

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