Arquivo FolhaCeticismoPara Rainha, situação no campo não deve se alterar com as medidas anunciadas anteontem pelos ministro da Justiça e da Política FundiáriaO líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Júnior, afirmou ontem considerar importantes, mas desprovidas de ações concretas, as medidas anunciadas pelo governo para combater a violência no conflito agrário no Pará. Ele disse também que na próxima semana vai acontecer uma nova onda de ocupações de terra no País. Na sexta-feira, completam dois anos do massacre de Eldorado de Carajás (sudeste do Pará), onde 19 sem-terra foram mortos em conflito com a Polícia Militar.
Anteontem, o ministro Raul Jungmann (Política Fundiária) anunciou a criação de uma Vara Agrária, específica para a reforma agrária, e uma delegacia da Polícia Federal, em Marabá (PA). Dois líderes do MST foram mortos no dia 26 de março durante a desocupação da fazenda Goiás 2, em Parauapebas (sul do Pará), o que motivou o pacote anti-violência do governo.
‘‘Se a cada conflito o governo tomar atitudes como essa, como vai ficar o Brasil, cheio de delegacias e varas de Justiça? O que falta é um compromisso sério com a reforma agrária’’, afirmou Rainha. Na avaliação do líder do MST, a Vara Agrária corre o risco de se tornar um ‘‘aparelho burocrático’’, o que deve tornar mais lenta a desapropriação de áreas.
‘‘Quem acompanha a reforma agrária no Brasil, sabe que sempre houve muita promessa. O Incra e a própria Justiça param na burocracia’’, disse Rainha. Segundo ele, ainda não houve um conflito de grandes proporções no campo porque os sem-terra estão agindo de forma pacífica. Para ele, o fato de os fazendeiros acusados pelo assassinato dos sem-terra ainda não terem sido presos demonstra a falta de disposição da polícia paraense.
Rainha disse que a situação não deve se alterar com as novas medidas. Segundo o líder do MST, os sem-terra se recusaram a participar de uma reunião com o ministro Jungmann porque o governo não tem ‘‘credibilidade’’. ‘‘Quando foi prender minha mulher (Diolinda Alves de Sousa), a polícia fechou tudo no Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo). Mesmo com o estado de guerra no Pará, até hoje não aconteceu nada com os fazendeiros’’, disse.
Rainha afirmou que sem a prisão dos fazendeiros dificilmente o MST vai reabrir diálogo com as autoridades paraenses. Os líderes sem-terra se recusaram a participar de uma reunião no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Marabá (PA).

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