O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vai intensificar em 1999 as ocupações de terra para lutar contra um alvo específico: o Banco da Terra, criado pelo governo federal para financiar os sem-terra e substituir pouco a pouco as desapropriações. ‘‘É óbvio que os trabalhadores vão se organizar e o número de ocupações vai aumentar’’, avisou um dos coordenadores nacionais da entidade, João Pedro Stédile - apoiado pelo presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), d. Tomás Balduíno, que garantiu: ‘‘Vai haver mais conflito e tensão no campo porque o pessoal vai descobrir logo o engano e reagir fortemente.’’
Os dois defenderam, durante a apresentação do balanço de fim de ano do MST, a idéia de que o novo sistema torna inviável a reforma agrária. Pelo Banco da Terra, um dos principais programas do Ministério Extraordinário de Política Fundiária, o governo paga à vista pelo lote e os sem-terra podem parcelar o total em dez anos, com correção pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que está, atualmente, em 18,06% ao ano.
‘‘É uma reforma agrária de mercado: o fazendeiro vai comprar uma terra melhor com o dinheiro, favorecendo a concentração de renda e sendo premiado por ter ficado anos numa terra improdutiva’’, argumentou Stédile.

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