Luiz Prado/AE
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Tomada de decisãoOs líderes do MST, José Rainha, Gilmar Mauro e Zelito Luz da Silva conversam na Fazenda São BentoO líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, Gilmar Mauro, anunciou ontem uma trégua de mais uma semana nas ocupações de terra na região. Segundo Mauro, será um prazo para que o governo demonstre boa vontade em resolver a questão do Pontal, acelerando o processo de desapropriações de fazendas. ‘‘Não é mais o MST que define. É o governo. Se não quiser ocupação, ele fará desapropriação esta semana. Do contrário, estará nos mandando ocupar’’, disse Mauro.
A decisão foi tomada durante um encontro entre os líderes José Rainha, Gilmar Mauro e Zelitro Luz da Silva, feito na Fazenda São Bento, sede regional do MST. Gilmar Mauro assegurou que a medida não significa recuo, mas uma preocupação das lideranças em se concentrar no julgamento de Rainha, acusado da morte de duas pessoas em Pedro Canário (ES). Condenado a 26 anos, Rainha vai a um segundo júri popular. A Justiça decide quarta-feira sobre o local do novo julgamento. O MST teme que qualquer ação violenta interfira na decisão.
O dirigente Márcio Barreto foi encarregado de comunicar a trégua a um grupo de sem-terra que compareceram a uma assembléia no acampamento do Taquaruçu, em Sandovalina. Havia a expectativa de que, na assembléia, fosse decidida a ocupação de uma das três fazendas pretendidas pelo MST, Santa Irene, São Domingos e Santa Rita.
Menos de 50 sem-terra reuniram-se no local. Uma nova assembléia foi marcada para o próximo domingo. Gilmar Mauro disse que a trégua não inclui a possível ocupação de agências do Banespa, que se nega a renegociar dívidas dos assentados. ‘‘Essa é uma questão à parte’’, disse.
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Roosevelt Roque dos Santos, não foi encontrado para comentar a decisão do MST. A entidade faz uma reunião hoje, em Presidente Prudente, para avaliar a situação no Pontal. Um integrante da UDR informou que, nas três fazendas, os esquemas de segurança foram reforçados depois que várias lideranças dos sem-terra deslocaram-se para a região. Segundo ele, a última suspensão de invasões anunciada pelo MST não foi cumprida, com a ocupação, domingo passado, da Fazenda Maturi I. A fazenda foi desocupada, sábado, atendendo liminar da Justiça.

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