A onda de invasões de propriedades rurais, desencadeada domingo pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em São Paulo, deverá estender-se, ainda este mês, pelos demais Estados brasileiros, segundo previsão feita ontem, em Teodoro Sampaio, SP pelo coordenador nacional da entidade, Gilmar Mauro. Segundo ele, as ações deverão acontecer após o dia 7 de setembro, data em que os sem-terra participarão, nas capitais, do Grito dos Excluídos, promovido pela Igreja Católica.
O coordenador do MST explicou que atualmente 70 colunas de sem-terra estão caminhando em vários Estados em direção às capitais para participarem do evento, prioridade neste momento. ‘‘Depois da manifestação do dia 7 é possível que as ocupações comecem a acontecer’’, disse. Na opinião do líder sem-terra, a intensificação das invasões será decorrente da situação aflitiva em que estão os sem-terra em todo o País.
‘‘A situação é similar a registrada em São Paulo e todos sabemos que se o governo não promover os assentamentos até às eleições, depois delas o processo será naturalmente transferido para o ano que vem’’, explicou.
Gilmar Mauro aproveitou para alertar o governo: ‘‘Se eu fosse o ministro Raul Jungmann (de Política Fundiária), convocaria os superindentes do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) de todos os Estados e daria ordens para que acelerem os processos de aquisição de terras para os assentamentos, antes que as ações sejam intensificadas’’, afirmou.
O dirigente classificou como ‘‘babaquices’’ as declarações do ministro sobre a intensificação das invasões promovidas pelos sem-terra em São Paulo. ‘‘Quando ele diz que os processos de desapropriação das terras ocupadas serão paralisados, não muda nada porque, na verdade, aquelas ações já estavam paradas’’, ironizou.
O líder dos sem-terra no Pontal, José Rainha Júnior, que retornou ontem de uma viagem a São Paulo, referindo-se às declarações de Jungmann, disse que ‘‘o governo tem o direito de fazer declarações e nós o de promover ocupações’’. Rainha reafirmou que as ações desencadeadas em São Paulo não vão parar. ‘‘Não tem mais trégua e isto significa que a luta vai continuar até que todas as famílias que estão vivendo nos acampamentos sejam assentadas’’, disse.(Leia sobre o MST na Folha Cidades)

mockup