Recife, 18 (AE) - As ocupações feitas por trabalhadores elo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra em Pernambuco (MST-PE) chegaram a 77,com a participação de mais de 10 mil pessoas, segundo balanço divulgado hoje pelo movimento. As invasões, em protesto pelas comemorações dos 500 anos do descobrimento, começaram na segunda-feira (18), em todo o Estado.
Cinco das propriedades ocupadas pertencem à Usina Catende, na zona da mata, sob controle dos trabalhadores ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape). O administrador da massa falida da empresa, Mário Borba, entrou hoje na Justiça com ação de reintegração de posse.
O diretor de política agrária da Fetape, João Santos, disse que os trabalhadores não aceitam a atitude do MST e quer a saída dos invadores. Ele teme um confronto entre trabalhadores do MST e integrantes da Fetape. A situação da Usina Catende, disse, é diferente, com a terra produtiva e já pertencente a canavieiros, que garantiram o funcionamento da empresa. A Catende emprega 2 mil pessoas com carteira assinada, pagou o 13º salário em dia e já fez estoque de 180 mil sacas de açúcar para garantir a sobrevivência dos trabalhadores na época da entressafra.
A empresa faliu em 1995 e foi praticamente assumida pelos trabalhadores, que reivindicam sua posse como pagamento das indenizações devidas. A empresa tem R$ 67 milhões de dívidas trabalhistas e seu patrimônio é de R$ 62 milhões. As terras da usina têm 22 mil hectares. Desse total, de acordo com a Fetape, mais de 2 mil hectares estão plantados com culturas diversificadas como café, feijão e milho.
O MST justifica a ocupação por discordar do projeto da Fetape. Os sem-terra querem a desapropriação total das terras da usina pelo Incra para assentamento. "Tem muitas usinas falidas que podemos ocupar em parceria, MST e Fetape", afirmou João Santos. "Mas não a Catende, que já é dos trabalhadores". A Fetape fez cerca de 10 ocupações este ano e pretende fazer mais 25 em 1º de Maio.

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