MST anuncia 55 ocupações em Pernambuco
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Angela Lacerda 
Recife, 17 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra em Pernambuco (MST-PE) anunciou ter ocupado 55 áreas no Estado nesta madrugada, com a participação de cerca de 5 mil pessoas. A expectativa do movimento é chegar a 80 invasões nesta terça-feira. "Nós comemoramos os 500 anos do Brasil fazendo ocupação", afirmou o líder regional do MST Jaime Amorim. "Nós não temos o que festejar, mas o que conquistar, a terra".
Entre as propriedades invadidas estão quatro engenhos da Usina Catende, no município de Catende, na zona da mata, que estão sob o controle da Federação dos Trabalhadores Rurais do Estado (Fetape) e Central Única dos Trabalhadores. O fato foi denunciado em uma nota do movimento sindical que considera a ação do MST "divisionista e equivocada".
A posse legal das terras da Usina Catende - como pagamento das indenizações dos trabalhadores - está sendo reivindicada na Justiça pelos canavieiros que, desde a falência da empresa, há 5 anos, trabalham na terra.
Produtivas - As invasões, que vinham sendo preparadas desde janeiro, concentraram-se na zona da mata, com 34 ocupações. Também foram invadidos engenhos das usinas Central Barreiros e Matary. O presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, Manoel Soares, assegurou que eles são produtivos.
"Algumas áreas aparentemente improdutivas não estão abandonadas, estão sem uso por causa dos dois anos seguidos de seca e temos como provar isso", afirmou ele. Ele disse que amanhã (18) a assessoria jurídica da entidade começa a atender os associados , impetrando ações de reintegração de posse.
Incra - O Incra e a Polícia Militar não tiveram conhecimento das invasões. O superintendente regional do Incra, Roosevelt Gonçalves, considerou a ação do MST inócua, pois o órgão não tem capacidade operacional nem orçamentária para vistoriar as novas áreas ocupadas. "Isto só vai criar mais tumulto no Estado e mais conflitos nas áreas", afirmou ele. Segundo Gonçalves, o Incra planeja, neste ano, vistoriar 60 das 200 áreas ocupadas por sem-terra no Estado e assentar 3.500 das 20 mil famílias (números do MST) que se encontram nos acampamentos. "Se a gente não dá conta do que já existia, imagine agora com novas invasões", observou.
Frustra - Os sem-terra não conseguiram fazer três das ocupações. No Engenho Una, em Barreiros, na zona da mata sul, eles foram expulsos pela Polícia Civil já que havia uma ação judicial de interdito proibitório, impedindo a invasão. Almir Xavier, integrante do MST, foi detido por ter resistido à ordem de deixar o local e depois liberado pela polícia.
No engenho Pereira Grande, em Gameleira, também na mata sul, e na Fazenda Sossego, em Bonito, no agreste, os sem-terra foram expulsos por "pistoleiros", de acordo com a assessoria de imprensa do MST-PE.
A novidade desta jornada de ocupações do movimento foi a invasão de uma área em Itaquitinga, na mata norte, feita apenas por mulheres. Elas dispensaram ajuda dos homens até mesmo para montar o acampamento e, segundo uma das invasoras, Jordânia Ferreira da Silva, de 17 anos, a disposição é de resistir sozinhas a uma eventual tentativa de expulsão. "Temos facas e foices para nos defender de capangas", disse.


