Brasília, 18 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ameaçou hoje processar o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, por causa da proposta de terceirização do processo de reforma agrária, anunciada ontem (17). "Terceirizar a reforma agrária é uma afronta aos 100 mil sem-terra acampados no País", afirmou o coordenador do movimento Gilberto Portes. Segundo ele, o MST intensificará as invasões de propriedades. "A proposta vai minar o campo e transformá-lo num barril de pólvora", alertou Portes. "A responsabilidade será do ministro Jungmann."
Conforme o coordenador, se o governo passar o processo de reforma agrária para a iniciativa privada, haverá confronto. Portes informou que o MST pretende estudar uma alternativa jurídica com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para processar o governo, se for concretizada a transferência da reforma agrária para a iniciativa privada.
Os integrantes do MST estiveram hoje no Supremo Tribunal Federal (STF), discutindo a federalização do julgamento do caso Eldorado do Carajás, já que nenhum juiz do Pará quer assumir o júri.Além disso, solicitaram do presidente do STF, ministro Carlos Velloso, apoio para uma proposta de emenda constitucional para limitar os latifúndios improdutivos. Ocupações - Portes confirmou que a estratégia do MST para os próximos dias será fazer centenas de invasões. "Para nós, os 500 anos do Descobrimento vão ser de ocupação de latifúndios", afirmou Gilberto Portes. "As ocupações de segunda-feira chegaram a 80, mas vamos continuar com isso, em homenagem ao ministro Raul Jungmann, porque ele disse que os sem-terra pararam de invadir propriedades, o que não é verdade."
O coordenador disse ainda que o MST vai se instalar em Porto Seguro, na Bahia, durante os festejos do Descobrimento. "Só porque tenho boné do MST não posso entrar em Porto Seguro?", indagou com ironia o coordenador do MST. "Lá não é espaço deles (o governo) fazerem festa." Para Portes, a comemoração da data deve ser ampla. "Ou é para todo mundo, ou nem eles, nem nós", argumentou.

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