Belém, 03 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra no Pará ameaça ocupar a ferrovia de Carajás, em Parauapebas, caso o Ministério de Política Fundiária não libere até o início da próxima semana os recursos da reforma agrária bloqueados pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. A desocupação das agências do Banco do Brasil e a liberação do trânsito em rodovias estaduais e federais no sul e sudeste do Pará - ocupadas por oito mil assentados - também dependem dos recursos.
Hoje o MST decidiu ocupar a ferrovia, interrompendo o transporte do minério de ferro da Companhia Vale do Rio Doce para o Maranhão, de onde é embarcado para o exterior. O ministro Raul Jungmann estará em Belém na segunda-feira (06) para participar de um seminário sobre reforma agrária promovido pelo governo paraense, mas não pretende receber os líderes do MST
"Vamos pressionar o ministro a resolver de uma vez por todas esse problema e cobrar dele a palavra empenhada durante reuniões em Brasília com os movimentos sociais", afirmou o coordenador do MST na região, Joaquim Ribeiro. Ele anunciou que a direção do Incra em Marabá começou a avaliar os projetos que reivindicam liberação inicial de R$ 20 milhões para 18 assentamentos onde faltam escolas, postos de saúde, estradas e eletrificação.
Em Belém, o comandante geral da Polícia Militar, coronel Faustino Neto, disse que suas tropas estão de "sobreaviso" em todo o sul do Estado, mas só intervirão se os manifestantes provocarem tumultos e violências. "Esse é um problema federal"
resumiu o coronel, referindo-se à ocupação da rodovia Transamazônica e agências do Banco do Brasil.
A interdição de rodovias naquela região, segundo estimativas de caminhoneiros, está provocando um prejuízo diário de R$ 2 milhões. "Tem muita carga perecível estragando nos bloqueios", contou omotorista Olavo Vendramin Neto.

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