Primeiro de Maio - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ameaçam invadir pela quarta vez a Fazenda Agropecuária Neblina (antiga Coopersucar), em Primeiro de Maio. Durante todo o dia de ontem, cerca de 50 policiais militares da região estiveram em frente à área para impedir confronto com os funcionários da fazenda. Do outro lado da rodovia, cerca de 15 integrantes do grupo ameaçavam ocupar a fazenda e atear fogo nos tratores que preparavam a terra para plantio. Na área, segundo o grupo, havia sido plantado milho e feijão durante a última ocupação. Eles deixaram o local em maio.
  O funcionário da fazenda, Jorge Assumpção, explicou que o juiz Marcelo Dias da Silva, da comarca de Primeiro de Maio, concedeu o interdito proibitório ao dono área, que impede a entrada de qualquer pessoa que não tenha vínculo com a fazenda. Segundo ele, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) declarou que a fazenda de 198 alqueires é produtiva.
  Ontem, os funcionários trabalhavam na propriedade para atender notificação da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) que encontrou plantas de soja da última safra que precisam ser erradicadas para evitar a presença de fungos na próxima colheita.
  ‘‘Já fazia 15 dias que havíamos sido notificados mas por conta do tempo não conseguimos iniciar os trabalhos. Então os fiscais vieram novamente e nos apresentaram um auto de infração. Precisamos terminar esse trabalho em 15 dias se não podemos ser multados. Não tem como aproveitar o que está plantado porque o milho foi mal plantado. Eles precisam reivindicar o que buscam na Justiça, e se ganharem a causa, daí pode ser discutido alguma indenização’’, comentou Assumpção. Segundo o funcionário, integrantes do grupo fazem ameaças constantes aos funcionários da fazenda.
  O líder do grupo, Cláudio Fernandes, disse que havia um acordo com o proprietário da fazenda de entregar a eles a colheita de milho e feijão, que segundo ele, teriam plantado durante o tempo que permaneceram na área na última ocupação. ‘‘Temos uns 110 alqueires de plantação aí que 40 famílias precisam receber. Nós queremos receber o que temos de direito. Se eles não pararem de revirar a terra, vamos entrar e parar esse trator. Acho que o Estado deveria estar do lado das famílias sem-terra’’, comentou.
  A Fazenda Neblina já foi ocupada três vezes pelo grupo. Na última vez, quando a reintegração de posse foi concedida ao proprietário da fazenda, em maio, o grupo invadiu novamente a área em menos de 24 horas. Segundo os funcionários da área, esse é um dos motivos que fizeram o dono da fazenda quebrar o acordo com o movimento. ‘‘Quando eles invadiram novamente a área, o acordo foi quebrado’’, comentou Jorge.
  Adovogados do MST e da Fazenda Neblina estiveram durante toda a tarde de ontem reunidos no Fórum de Primeiro de Maio com a promotora designada Ana Maria de Oliveira para resolverem o impasse. Segundo informações da promotoria, o acordo proposto aos advogados foi de que o movimento continua impedido de entrar na propriedade.

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